sábado, 1 de setembro de 2007

AUTISMO - SINDROME DE ASPEGER

ASPERGER
A síndrome de Asperger foi descrito primeiramente por um médico alemão , Hans Asperger, em 1944 ( um ano depois do primeiro trabalho de Leo Kanner em autismo). O Dr. Asperger discutiu em seu trabalho indivíduos que exibiam muitas idiossincrázias e estranhos comportamentos ( veja descrição abaixo ) . Freqüentemente indivíduos com o síndrome de Asperger têm muitos dos comportamentos listados abaixo:

LINGUAGEM

- A fala lúcida antes de idade 4 anos; gramática e vocabulário normalmente são muito bons . - fala às vezes é formal e repetitiva . - A voz tende a ser plano e emotionless - As conversações revolvem ao redor do ego

COGNIÇÃO ( APRENDIZAGEM -

Obcecado com tópicos complexos , como padrões , desbote , música , história , etc. - Freqüentemente descrito como excêntrico - Q.I.s varia no do espectro , muitos abaixo do normal de habilidade verbal e acima da média em habilidades de desempenho . - Muitos têm dislexia e problemas de escrita , e dificuldade com matemática . - Falta bom senso- Pensamento concreto (contra o abstrato)

COMPORTAMENTO

- movimentos tendem a ser desajeitado e desajeitado .
- problemas sensórios parecem não ser tão dramático quanto esses com outras formas de autismo - socialmente atento mas exibições interação recíproca imprópria
Investigadores acreditam que a síndrome de Asperger é provavelmente hereditária porque muitas famílias informam ter um " parente estranho " ou dois. Além , são informadas freqüentemente depressão e desordem bipolar nesses com o síndrome de Asperger como também em sócios familiares. No momento, não há nenhum tratamento prescrito para indivíduos com o síndrome de Asperger Na maioridade, muitos têm vidas produtivas , vivendo independentemente , trabalhando efetivamente em um trabalho (muitos são professores de faculdade , programadores de computador , dentistas) , e constituindo uma família . Aparentemente há várias formas de autismo de alto-funcionamento , e a síndrome de Asperger é uma forma .

Autor: Stephen Bauer
Obtido da Página do Psiquiatra Infantil
Walter Camargos Junior
A Síndrome de Asperger, também chamada "Desordem de Asperger", é uma categoria relativamente nova de desordem de desenvolvimento. O termo entrou em uso geral nos últimos 15 anos. Embora um grupo de crianças com esse quadro clínico tenha sido descrito originalmente, de uma forma muito acurada, na década de 1940 pôr um pediatra vienense, Hans Asperger, a síndrome de Asperger foi oficialmente reconhecida no "Manual de Diagnóstico e Estatísticas de Desordens Mentais" pela primeira vez na quarta edição, publicada em 1994. Devido a haver poucos artigos de revista compreensíveis na literatura médica até agora e devido a SA ser provavelmente consideravelmente mais comum do que inicialmente se pensava, esta discussão vai tentar descrever a síndrome em alguns detalhes e oferecer sugestões relacionadas à sua administração. Estudantes com SA são não raramente vistos na educação regular, embora freqüentemente não diagnosticados ou diagnosticados erroneamente, de modo que se trata de tópico de alguma importância para os profissionais da educação, assim como para os pais.
Síndrome de Asperger é o termo aplicado ao mais suave e de alta funcionalidade daquilo que é conhecido como o espectro dos Transtornos Invasivos (presentes e perceptíveis a todo tempo) do desenvolvimento (ou espectro de autismo). Como todas as condições ao longo do espectro, parece representar uma desordem de desenvolvimento neurologicamente fundamentada , muito freqüentemente de causa desconhecida , na qual há desvios e anormalidades em três áreas do desenvolvimento: relacionamento social, uso da linguagem para a comunicação e certas características de comportamento e estilo envolvendo características repetitivas ou perseverativas sobre um número limitado , porém intenso , de interesses . É a presença dessas três categorias de disfunção , que pode variar de relativamente amena a severa, que clinicamente define todos os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento , de SA até o autismo clássico . Embora a idéia de um contínuo PDD (pervasive developmental disorder) ao longo de uma única dimensão seja útil para entender as semelhanças clínicas de condições ao longo do espectro , não é totalmente claro se SA é somente uma forma atenuada de autismo ou se as condições são relacionadas por algo mais que suas grandes semelhanças clínicas .
Síndrome de Asperger representa a porção das PDD caracterizada por elevadas habilidades cognitivas (pelo menos Q.I. normal, às vezes indo até as faixas mais altas) e por funções de linguagem normais , se comparadas a outras desordens do espectro . De fato , a presença de características básicas de linguagem agora é usado como um dos critérios para o diagnóstico de SA , embora esteja próximo de dificuldades sutis com linguagem pragmática e social. Muitos pesquisadores acham que há duas áreas de relativa intensidade que distinguem SA de outras formas de autismo e PDD e concorrem para um melhor prognóstico em SA . Estudiosos não chegaram a consenso se existe alguma diferença entre SA e Autismo de Alta Funcionalidade (HFA) . Alguns pesquisadores sugerem que o déficit neuropsicológico básico é diferente para as duas condições , mas outros não estão convencidos de que alguma distinção significativa posa ser feita entre os dois . Um pesquisador , Utah Frith , caracterizou crianças com SA como tendo "traços de autismo". De fato , é provável que se posa encontrar múltiplos sub-tipos e mecanismos por detrás do amplo quadro clínico SA . Isto abre espaço para alguma confusão relacionada ao diagnóstico e é provável que crianças muito parecidas através do país venham sendo diagnosticadas como as, HFA ou PDD, dependendo de onde e por quem foram avaliadas .
Uma vez que a própria SA mostra um espectro de severidade dos sintomas , muitas crianças menos usuais , que podem atingir critérios para esse diagnóstico não são absolutamente diagnosticadas e são vistas como "incomuns" ou "um pouco diferentes", ou são erroneamente diagnosticadas com condições como desordens de atenção , distúrbios emocionais , etc . Muitos nesse campo acreditam que não há uma fronteira clara separando crianças SA de crianças "normais porém diferentes" . A inclusão de SA como uma categoria separada no novo DMS-4 , com critérios mais ou menos claros de diagnóstico pode levar a grande consistência de identificação no futuro .
Epidemiologia:
Os melhores estudos que tem sido conduzidos até agora sugerem que SA é consideravelmente mais comum que o autismo clássico . Enquanto o autismo tem tradicionalmente sido encontrado à taxa de 4 a cada 10.000 crianças, estima-se que a Síndrome de Asperger esteja na faixa de 20 a 25 por 10.000 . Isso significa que para cada caso de autismo típico , as escolas devem esperar encontrar diversas crianças com SA (isso é tanto mais verdade para o ensino básico , onde a maioria das crianças com SA são encontradas) . De fato , um estudo criterioso , baseado nas populações , foi conduzido pelo grupo do Dr. Gillberg , na Suécia , concluindo que aproximadamente 0,7% das crianças estudadas tem um quadro clínico diagnosticável ou sugerindo SA em algum grau . Particularmente se forem incluídas as crianças que tem muitas das características SA e parecem ser levemente enquadráveis ao longo do espectro tido como "normal" . Então parece ser uma condição nada rara .
Todos os estudos concordam que a síndrome de Asperger é muito mais comum em rapazes que em garotas . A razão para isso é desconhecida . SA é muito comumente associada com outros tipos de diagnóstico , novamente por razões desconhecidas , incluindo : "tics" como a desordem de Tourette , problemas de atenção e problemas de humor , como depressão e ansiedade . Em alguns casos há um claro componente genético , onde um dos pais (normalmente o pai) mostra ou o quadro SA completo ou pelo menos alguns dos traços associados ao SA ; fatores genéticos parecem ser mais comuns em SA que no autismo clássico . Traços de temperamento como ter interesses intensos e limitados , estilo rígido ou compulsivo e desajustamento social ou timidez também parecem ser mais comuns , sozinhos ou combinados , em parentes de crianças SA . Algumas vezes haverá história positiva de autismo em parentes , reforçando a impressão de que SA e autismo sejam às vezes condições relacionadas . Outros estudos tem demonstrado taxa relativamente alta de depressão , uni ou bipolar , em parentes de crianças com SA , sugerindo relação genética pelo menos em alguns casos . Parece que , como no autismo , o quadro clínico seja provavelmente influenciado por muitos fatores , inclusive genéticos , de modo que não há uma causa única identificável na maioria dos casos .
Definição:
O novo critério DSM-4 para diagnóstico de SA , com os critérios oriundos do diagnóstico do autismo , incluem a presença de :
Prejuízo qualitativo na interação social , envolvendo alguns ou todos dentre :
· prejuízo no comportamento não-verbal p/ regular a à falha no desenvolvimento de relações com seus pares em idade;
· falta de interesse espontâneo em dividir experiências com outros ;
· falta de reciprocidade emocional ou social .
· Padrões restritos , repetitivos e estereotipados de comportamento , interesses e atividades envolvendo :
. preocupação com um ou mais padrões de interesse restritos e estereotipados ;
· inflexibilidade a rotinas e rituais não-funcionais específicos ;
· maneirismos motores estereotipados ou repetitivos , ou preocupação com partes de objetos .
· Estes comportamentos precisam ser suficientes para interferir significativamente com funções sociais ou outras áreas . Além disso , é necessário não haver atraso significativo nas funções cognitivas gerais ,
· auto-ajuda/características adaptativas , interesse no ambiente ou desenvolvimento geral da linguagem .
· Cristopher Gillberg , um médico sueco que estudou SA extensivamente , propõe seis critérios para o diagnóstico , elaborado sobre os critérios DSM-4 . Seus seis critérios capturam o estilo único dessas crianças , e incluem :
· 1o) Isolamento social , com extremo egocentrismo , que pode incluir :
· * falta de habilidade para interagir com seus pares
· falta de desejo de interagir
· apreciação pobre da trança social
· respostas socialmente impróprias
2o) Interesses e preocupações limitadas
· mais rotinas que memorizações
· relativa exclusividade de interesses -- aderência repetitiva
3o) Rotinas e rituais repetitivos , que podem ser :
· auto-impostos
· impostos por outros
· 4o) Peculiaridades de fala e linguagem , como :
· possível atraso inicial de desenvolvimento , não detectado consistentemente
· linguagem expressiva superficialmente perfeita
· prosódia ímpar , características peculiares de voz
· compreensão diferente , incluindo interpretação errada de significados literais ou implícitos
5o) Problemas na comunicação não-verbal, como:
· uso limitado de gestos
· linguagem corporal desajeitada
· expressões faciais limitadas ou impróprias
· olhar fixo peculiar
· dificuldade de ajuste a proximidade física
6o) Desajeitamento motor
· pode não fazer necessariamente parte do quadro em todos os casos
· Características clínicas
· mais óbvio marco da síndrome de Asperger e a característica que faz dessas crianças tão únicas e fascinantes é sua peculiar , idiossincrática área de "interesse especial" . Em contraste com o mais típico autismo , onde os interesses são mais provavelmente por objetos ou parte de objetos , no SA os interesses são mais freqüentemente por áreas intelectuais específicas . Freqüentemente , quando eles entram para a escola , ou mesmo antes , essas crianças mostrarão interesse obsessivo em uma área como matemática , aspectos de ciência , leitura (alguns tem histórico de hiperlexia - leitura rotineira em idade precoce) ou algum aspecto de história ou geografia , querendo aprender tudo que for possível sobre o objeto e tendendo a insistir nisso em conversas e jogos livres . Tenho visto algumas crianças com SA cujo foco são mapas , clima , astronomia , vários tipos de máquinas ou aspectos de carros , trens , aviões e foguetes . Curiosamente , voltando à descrição original do Dr. Asperger em 1944 , a área de transportes tem parecido ser de especial fascínio (ele descreveu crianças que memorizavam as linhas de bonde de Viena até o último ponto) . Muitas crianças com SA , até 3 anos de idade , parecem ser especialmente atentas a coisas como as rotas nas viagens de carro . Às vezes as áreas de fascínio representam exagero de interesses comuns em nossa cultura , como Tartarugas Ninja , Power Rangers , dinossauros , etc . Em muitas crianças as áreas de interesse especial mudam com o tempo , com uma preocupação sendo substituída por outra . Em algumas crianças , no entanto , os interesses podem persistir até a fase adulta e há muitos casos onde as fascinações de infância formaram a base para carreiras adultas , incluindo um bom número de colegas professores .
A outra maior característica de SA é a deficiente socialização , e isso , também , tende a ser algo diferente do que se vê no autismo típico . Embora crianças com SA sejam freqüentemente notadas por pais e professores como estando "em seu próprio mundo" e preocupadas com sua própria agenda , elas raramente são distantes como as crianças com autismo . De fato , muitas crianças com SA , pelo menos na idade escolar , expressam desejo de viver em sociedade e ter amigos . São freqüentemente profundamente frustradas e desapontadas com suas dificuldades sociais . Seu problema não é exatamente a falta de interação , mas a falta de efetividade nas interações . Eles parecem ter dificuldade para aprender a "fazer conexões" sociais . Gillberg descreveu isso como uma "desordem de empatia" , a inabilidade de efetivamente "ler" as necessidades e perspectivas dos outros e responder apropriadamente . Como resultado , crianças com SA tendem a ler errado as situações sociais e suas iterações e suas respostas são freqüentemente vistas por outros como "ímpares" .
Embora características "normais" de linguagem seja uma característica que distingue SA de outras formas de autismo e PDD , usualmente há algumas diferenças observáveis na forma como essas crianças usam a linguagem . Essa é a habilidade em que são mais fortes, às vezes muito fortes . Sua prosódia - aqueles aspectos da linguagem falada como volume , entonação , inflexão , velocidade , etc - é freqüentemente diferente . Às vezes soa formal ou pedante , expressões idiomáticas e gírias são freqüentemente não usadas ou usadas erroneamente , e as coisas são freqüentemente tomadas literalmente . A compreensão da linguagem tende ao concreto , com problemas crescendo quando a linguagem se torna mais abstrata nos graus mais elevados . Pragmática , ou informal , habilidades de linguagem são freqüentemente fracas devido a problemas com retornos , uma tendência a reverter para áreas de interesse especial ou dificuldade de sustentar o "dar e receber" das conversas . Muitas crianças com SA tem dificuldade com humor , tendendo a não "pegar" brincadeiras particularmente coisas como trocadilhos ou jogos de palavras . A crença comum de que crianças com Transtornos Invasivos do Desenvolvimento são sem senso de humor é freqüentemente um erro . Algumas crianças com SA tendem a ser hiperverbais , não entendendo que isso interfere com suas interações com os outros e afastando-os .
Quando se examina a história inicial da linguagem de crianças com SA não há padrões simples : algumas delas atingem normalmente , e às vezes até prematuramente os marcos , enquanto outras mostram claramente atrasos na fala com rápida recuperação da linguagem normal quando começa a fase escolar . Nessas crianças abaixo de 3 anos em que a linguagem ainda não chegou à faixa normal , a diferenciação de diagnóstico entre SA e autismo leve pode ser difícil , a ponto de somente o tempo pode clarificar o diagnóstico . Freqüentemente , particularmente durante os primeiros anos , pode-se perceber características associadas à linguagem similares às do autismo , como aspectos perseverativos ou repetitivos da linguagem ou uso de frases feitas ou figuras de material ouvido previamente .

Síndrome de Asperger através da vida

Em seu trabalho original de 1944 , descrevendo crianças que depois passaram a ser designadas pelo seu nome , Hans Asperger reconheceu que embora os sintomas e problemas mudem com o tempo , o problema geral raramente acaba . Ele escreveu que "no curso do desenvolvimento , certas características predominam ou recuam , de modo que os problemas apresentados mudam consideravelmente . Todavia , os aspectos essenciais permanecem inalterados . Na primeira infância existe dificuldade em aprender habilidades simples e adaptação social . Estas dificuldades surgem do mesmo distúrbio que cause problemas de conduta e aprendizado na idade escolar , problemas de desempenho no trabalho na fase da adolescência e conflitos sociais e conjugais na fase adulta ." Por outro lado , não se questiona que crianças com SA tem geralmente problemas mais brandos em cada idade se comparados àqueles com outras formas de autismo e PDD , e seu prognóstico final é certamente melhor . De fato , uma das mais importantes razões para distinguir SA de outras formas de autismo é seu histórico consideravelmente mais brando .

A criança pré-escolar

Como se pode notar , não há um quadro único e uniforme da síndrome de Asperger nos primeiros 3 a 4 anos de vida . O quadro inicial pode ser difícil de distinguir do autismo típico , sugerindo que , quando se avalia qualquer criança com autismo e inteligência aparentemente normal , a possibilidade de ele/ela ter um quadro mais compatível com o diagnóstico Asperger deve ser considerada . Outras crianças podem ter atrasos iniciais de linguagem com rápida recuperação entre os 3 e 5 anos de idade . Finalmente , algumas dessas crianças , particularmente as mais vivas , podem não evidenciar atraso inicial de desenvolvimento exceto , talvez , algum desajeitamento motor . Em alguns casos , entretanto , se se observa atentamente a criança na fase de 3 a 5 anos , traços do diagnóstico podem ser encontrados , e em muitos casos uma avaliação abrangente pode ao menos apontar para um diagnóstico no espectro PDD/autismo . Embora essas crianças se relacionem de modo perfeitamente normal dentro da família , problemas podem ser notados quando entram no ambiente da pré-escola . Isso pode incluir : tendência a evitar interações sociais espontâneas ou mostrar habilidades fracas em iterações , problemas para sustentar simples conversações ou tendência a ser perseverativo ou repetitivo quando conversando , respostas verbais díspares , preferência por rotinas e dificuldade com transições , dificuldade para regular respostas sociais/emocionais com raiva , agressão , ansiedade excessiva , hiperatividade , parecendo estar "em seu próprio mundo", e tendência a sobrefocar em objetos ou assuntos em particular . Certamente , a lista é muito parecida com os primeiros sintomas de autismo ou PDD . Comparado a essas crianças , no entanto , terá linguagem menos anormal e poderá não ser tão obviamente "diferente" das outras crianças . Áreas com habilidades particularmente fortes podem estar presentes , como reconhecimento de letras ou números , memorização de fatos , etc .

Escola elementar

As criança com SA freqüentemente entrará no jardim de infância sem ter sido adequadamente diagnosticada . Em alguns casos , haverá observações relacionadas ao comportamento (hiperatividade, falta de atenção, agressividade, ausências) nos anos pré-escolares ; suas habilidades sociais e interações com os pares podem ser classificadas como "imaturas"; a criança pode ser vista como tendo algo incomum . Se esses problemas forem mais severos , então educação especial pode ser sugerida , mas provavelmente crianças com SA seguem o caminho escolar normal . Freqüentemente o progresso acadêmico nos primeiros anos é área de relativo sucesso ; por exemplo , leitura é usualmente boa e habilidades de cálculo pode ser igualmente fortes , embora habilidades com o lápis sejam consideravelmente fracas . O professor provavelmente atacará as áreas "obsessivas" de interesse da criança , que freqüentemente atrapalham os trabalhos de classe . Muitas crianças mostrarão algum interesse social em outras crianças , embora posas ser pequeno , mas elas normalmente apresentam fraco desempenho para fazer e manter amizades . Elas podem mostrar particular interesse em uma ou poucas crianças ao seu redor , mas normalmente a profundidade de suas interações será relativamente superficial . Por outro lado , conheci algumas crianças SA que se apresentam atenciosas e "bonitas" , particularmente quando interagindo com adultos . O déficit social , quando menos severo , pode ser subestimado por muitos observadores .
O curso através da escola elementar pode variar consideravelmente de criança para criança , e problemas podem variar de leves e fáceis de administrar a severos e intratáveis , dependendo de fatores como o grau de inteligência da criança , propriedade da administração na escola e em casa , temperamento da criança e a presença ou ausência de fatores complicadores como hiperatividade , problemas de atenção , ansiedade, problemas de aprendizagem , etc .

Graus mais adiantados

À medida que a criança SA se move através da escola média e secundária , as áreas mais difíceis continuam a ser aquelas relacionadas a socialização e ajustamento comportamental . Paradoxalmente , devido a crianças SA serem freqüentemente administradas em escola normal , e devido a seus problemas específicos de desenvolvimento poderem ser mais facilmente relevados (especialmente se forem brilhantes e não agirem tão "estranhamente") , elas são freqüentemente mau interpretados nessa idade por seus professores e colegas . No nível secundário os professores freqüentemente tem menos oportunidade de conhecer bem a criança e problemas com comportamento ou habilidades de trabalho/estudo podem ser erroneamente atribuídas a problemas emocionais ou motivacionais . Em alguns casos particularmente menos estruturados ou familiares , como cantina , educação física ou playground , a criança pode entrar em conflitos ou luta de forças com professores ou estudantes que não estejam familiarizados com seu estilo de interação . Isso pode às vezes levar a sérias explosões . A pressão se acumula nessas crianças até reagirem de uma forma dramática e inapropriada .
Na segunda metade do 1o grau (da 5a. a 8a. série) onde as pressões são maiores e a tolerância a diferenças é mínima , crianças com SA podem ser postas de lado , mal interpretadas , ou importunadas e perseguidas . Desejando fazer amigos e mantê-los , mas inábeis pare faze-lo , podem se afastar cada vez mais ou seu comportamento pode se tornar cada vez mais problemático na forma de ausências e não-cooperação . Algum grau de depressão não é incomum e é um complicador . Se não há significativas dificuldades de aprendizado , o desempenho acadêmico pode continuar forte , particularmente em suas áreas de particular interesse ; freqüentemente , no entanto , haverá súbitas tendências a interpretar erroneamente informações , particularmente abstrações ou linguagem figurativa . Dificuldades de aprendizado são freqüentes e dificuldades de atenção e organização podem estar presentes .
Afortunadamente , no segundo grau a tolerância pelas variações e excentricidades individuais cresce . Se a criança vai bem academicamente , isso pode dar-lhe o respeito dos outros estudantes . Alguns estudantes SA podem ser tachados como "caxias" , um grupo como qual efetivamente se parece em muitos aspectos e com o qual pode superar algumas dificuldades da SA . O adolescente SA pode formar amizades com outros estudantes que compartilham seus interesses através de clubes de computador ou de matemática , feiras de ciências , clubes de Star Trek , etc . Com sorte e gerenciamento adequado , muitos desses estudantes desenvolverão habilidades consideráveis , "graus sociais" e habilidades gerais para se encaixar mais confortavelmente em sua idade , facilitando seu caminho .

Adultos Asperger

Crianças Asperger crescem . É importante notar que temos informação limitada relativa aos resultados da maioria das crianças . Somente recentemente SA foi separada do autismo típico e o resultado dos casos mais brandos geralmente não foi relatado . Os dados disponíveis sugerem que , comparados a outras formas de autismo/PDD , crianças com SA são mais aptas a crescer e ser adultos independentes em termos de emprego , casamento , família , etc .
Uma das mais interessantes e úteis fontes de dados vem indiretamente , da observação dos pais ou parentes da criança SA , que parecem eles próprios ter SA . Dessas observações fica claro que SA não impede o potencial de uma vida adulta mais "normal" . Comumente esses adultos gravitarão para uma ocupação ou profissão relacionada a sua própria área de interesse especial , às vezes se tornando muito talentoso . Muitos dos estudantes brilhantes SA são capazes de completar com sucesso a faculdade e até mesmo pós-graduação . Em muitos casos continuarão a demonstrar , pelo menos em alguma extensão , sutis diferenças nas iterações sociais . Eles podem ser desafiados pelas exigências sociais e emocionais do casamento , embora se saiba que muitos efetivamente se casam . Sua rigidez de estilo e perspectiva idiossincrática no mundo podem gerar dificuldades de interações , dentro e fora da família . Também há o risco de problemas de humor , como depressão e ansiedade , e é sabido que muitos encontram seu caminho com psiquiatras e outros especialistas em saúde mental onde , sugere Gillberg , a verdadeira natureza de seus problemas pode não ser reconhecida ou diagnosticada erroneamente .
De fato , Gillberg estima que talvez 30-50% dos adultos com SA nunca foram avaliados ou corretamente diagnosticados . Esses "Aspergers normais" são vistos pelos outros como "um pouco diferentes" ou excêntricos , ou talvez recebam outro diagnóstico psiquiátrico . Encontrei alguns indivíduos que acredito se encaixem nessa categoria , e fico impressionado por quantos deles foram capazes de usar suas habilidades , freqüentemente suportados pelos que os amam , para achar aquilo que considero ser um alto nível de funcionalidade , personalidade e profissionalismo . Foi sugerido que alguns dos mais brilhantes e altamente funcionais indivíduos com SA representam recurso único para a sociedade , tendo interesse único em avançar o conhecimento em várias áreas da ciência , matemática , etc .

Sugestões para administrar na escola

O mais importante ponto de partida para ajudar estudantes com síndrome de Asperger a funcionar efetivamente na escola é que o staff (todos que tenham contato com a criança) compreenda que a criança tem uma desordem de desenvolvimento que a leva a se comportar e responder de forma diferente que os demais estudantes . Muito freqüentemente o comportamento dessas crianças é interpretado como "emocional" ou "manipulativo" ou alguns termos que confunde a forma como eles respondem diferentemente ao mundo e seus estímulos . Dessa compreensão segue que o staff da escola precisa individualizar sua abordagem para cada uma dessas crianças ; não funciona tratá-los da mesma forma que a outros estudantes . O próprio Asperger compreendeu a importância central da atitude do professor no seu próprio trabalho com essas crianças . Ele escreveu em 1944 "Estas crianças freqüentemente mostram uma surpreendente sensibilidade à personalidade do professor... Eles podem ser ensinados , mas somente por aqueles que lhe dão verdadeira afeição e compreensão , pessoas que mostram delicadeza e , sim , humor... A atitude emocional básica do professor influencia , involuntária e inconscientemente , o humor e o comportamento da criança ."
Embora seja sabido que muitas crianças com SA possam ser administradas em classes regulares , elas freqüentemente precisam de algum suporte educacional . Se problemas de aprendizado estão presentes , salas de recuperação ou tutoreamento podem ser úteis para fornecer explicação e revisão individualizadas . Serviços de fonoaudiologia podem ser desnecessários , mas especialista em fala e linguagem na escola podem ser úteis como consultores para o resto do staff , sugerindo caminhos para endereçar problemas em áreas como linguagem pragmática . Se o desajeitamento motor for significativo , como às vezes ocorre , um terapeuta ocupacional pode dar estímulos úteis . O conselheiro da escola ou o serviço social pode dar treinamento em habilidades sociais , bem como suporte emocional . Finalmente , umas poucas crianças com grande necessidade podem se beneficiar com a assistência de uma assistente de classe especialmente designada para ele . Por outro lado , algumas das crianças com alta funcionalidade e as com quadro leve de SA são capazes de se adaptar e funcionar com pouco suporte formal da escola , se o staff for compreensivo , flexível e der suporte .
Há alguns princípios gerais para administrar crianças com algum grau de PDD na escola, e isso se aplica ao SA :
· as rotinas de classe devem ser mantidas tão consistentes , estruturadas e previsíveis quanto possível . Crianças com SA não gostam de surpresas . Devem ser preparadas previamente , quando possível , para mudanças e transições , inclusive as relacionadas a paradas de agenda , dias de férias , etc .
· regras devem ser aplicadas cuidadosamente . Muitas dessas crianças podem ser nitidamente rígidas quanto a seguir regras quase que literalmente . É útil expressar as regras e linhas-mestras claramente , de preferência por escrito , embora devam ser aplicadas com alguma flexibilidade . As regras não precisam ser exatamente as mesmas para as crianças SA e o resto da classe - suas necessidades e habilidades são diferentes .
· o staff deve tirar toda a vantagem das área de especial interesse quando lecionando . A criança aprenderá melhor quando a área de alto interesse pessoal estiver na agenda . Os professores podem conectar criativamente as áreas de interesse ao processo de ensino . Pode até mesmo usar as áreas de especial interesse como recompensa para a criança por completar com sucesso outras tarefas em aderência a regras e comportamentos esperados .
· muitos estudantes com SA respondem bem a estímulos visuais : esquemas , mapas , listas , figuras , etc . Sob esse aspecto são muito parecidas com crianças com PDD e autismo .
· em geral , tentar ensinar baseado no concreto . Evitar linguagem que posa ser interpretada erroneamente por crianças SA , como sarcasmo , linguagem figurada confusa , figuras de linguagem , etc . Procurar interromper e simplificar conceitos de linguagem mais abstratos .
· ensino explícito e didático de estratégias pode ser muito útil para ajudar a criança a ganhar eficiência em "funções executivas" como organização e habilidades de estudo .
· assegurar-se que o staff da escola fora da sala de aula (professor de educação física , motorista do ônibus , pessoal da cantina , bibliotecária ) esteja familiarizado com o estilo e necessidades da criança e tenha adequado treinamento em tratá-lo . Essas coisas menos estruturadas , onde as rotinas e expectativas são menos claras tendem a ser difíceis para a criança SA .
· tentar evitar luta de forças . Essa crianças freqüentemente não entendem demonstrações rígidas de autoridade ou raiva e irão eles próprios tornar-se mais rígidos e teimosos se forçados . Seu comportamento pode ficar rapidamente fora de controle , e nesse ponto é normalmente melhor para o terapeuta interromper e deixar esfriar . É sempre preferível , se possível , antecipar essas situações e tomar ações preventivas para evitar a confrontação através de serenidade , negociação , apresentação de escolhas ou dispersão de atenção .
· A principal área de atenção à medida que a criança se move através da escola é a promoção de uma interação social mais apropriada , ajudando esta criança a atingir uma melhor sociabilidade . Treinamento formal e didático em habilidades sociais pode ser feito tanto em sala de aula quanto em ação mais individualizada . Abordagens que tem sido muito bem sucedidas utilizam modelamento direto e ação a nível concreto (alguns como no Curriculum de Skillstreaming) . Ensaiando e praticando como agir em várias situações sociais a criança pode com sucesso aprender a generalizar as habilidades para um conjunto natural . É muitas vezes útil usar uma abordagem onde a criança é juntada com outra para absorver alguns encontros estruturados . O uso de um "sistema amigo" pode ser muito útil , desde que essas crianças se relacionem melhor 1-1 . A seleção cuidadosa de um amigo não-Asperger para a criança pode ser uma ferramenta para ajudar a montar habilidades sociais , encorajar amizades e reduzir a estimatização . Deve ser tomado cuidado , especialmente nos graus mais avançados , para proteger a criança de ser importunada dentro e fora da sala de aula , uma vez que é uma grande fonte de ansiedade para crianças mais velhas com SA . Deve ser feito esforço para ajudar outros estudantes a entender melhor a criança SA , de modo a obter tolerância e aceitação . Os professores podem tirar vantagem das fortes habilidades acadêmicas que muitas crianças SA tem para ajudá-los a ganhar aceitação de seus pares . É muito útil se a criança SA tem a oportunidade de ajudar outras crianças às vezes .
· Embora muitas crianças com SA sejam conduzidas sem medicação e a medicação não cura nenhum dos sintomas principais , existem situações específicas onde a medicação pode ocasionalmente ser útil . Os professores devem ficar atentos para o potencial de problemas de humor , como ansiedade e depressão , particularmente em crianças mais velhas com SA . Medicação com antidepressivo (por exemplo Imipriamine ou uma das novas drogas serotonergicas como Fluoxetine) pode ser indica se problemas de humor interferirem significativamente com o funcionamento da criança . Algumas crianças com sintomas compulsivos significativos ou comportamento ritualista podem ser ajudadas por drogas serotonergicas ou clomipramine . Problemas de falta de atenção na escola que às vezes se nota em certas
· crianças podem às vezes ser ajudados por medicação estimulante como methylphenidate ou dextroamphetamine , da mesma forma que são usados para tratar Déficit de Atenção . Ocasionalmente pode ser necessário medicação para acessar comportamentos mais severos de comportamento que não tenham respondido a intervenções comportamentalistas , não-médicas . Clonidine é uma medicação que tem se mostrado útil em tais situações e há outras opções , se necessário .
· Tentando dar um ensino adequado e um plano de administração na escola , é freqüentemente útil que pessoal de apoio e os pais trabalhem juntos , uma vez que os pais estão mais familiarizados com o que ocorreu no passado para uma dada criança . Também é útil colocar tantos detalhes quanto for possível no Plano de Educação Individual , de modo que o progresso posa ser monitorado e reaproveitado de ano para ano . Finalmente , para arquitetar esses planos , pode às vezes ser útil a ajuda de um conselheiro
· familiarizado no trato de crianças com a síndrome de Asperger e outras formas de PDD , como psicólogos , médicos e consultores Boces . Em casos complexos a orientação de uma equipe sempre é recomendável .

Entendendo estudantes com a Síndrome de Asperger
Guia para professores

Autor: Karen Williams
Obtido da Página do Psiquiatra Infantil
Walter Camargos Junior

Crianças diagnosticadas com Síndrome de Asperger (SA) apresentam um desafio especial no sistema educacional . Vistos tipicamente como excêntricos e peculiares pelos colegas , suas habilidades sociais inatas freqüentemente as levam a serem feitas de bode expiatório . Desajeitamento e interesse obsessivo em coisas obscuras contribuem para sua apresentação "ímpar" . Crianças com SA falham no entendimento das relações humanas e regras do convívio social ; são ingênuos e eminentemente carentes de senso comum . Sua inflexibilidade e falta de habilidade para lidar com mudanças leva esses indivíduos a ser facilmente estressados e emocionalmente vulneráveis . Ao mesmo tempo , crianças com AS (na maioria rapazes) tem freqüentemente inteligência na média ou acima da média e tem memória privilegiada . Sua obsessão por tema único de interesse pode levar a grandes descobertas mais tarde na vida .
Síndrome de Asperger é considerada uma desordem do fim do espectro do autismo . Comparando indivíduos dentro desse espectro , Van Krevelen (citado em Wing, 1991) notou que crianças com autismo de baixa funcionalidade "vivem em seu próprio mundo", enquanto que crianças com autismo de alta funcionalidade "vivem em nosso mundo , mas do seu próprio jeito" (pg.99) .
Naturalmente , nem todas as crianças com SA são diferentes . Exatamente porque cada criança com SA tem sua própria personalidade , sintomas SA "típicos" se manifestam de formas específicas para cada indivíduo . Como resultado , não existe uma receita exata para abordagem em sala de aula que possa ser usada para todos os jovens com SA , da mesma forma que os métodos educacionais não atendem às necessidades de todas as crianças que não apresentam SA .
Abaixo estão descrições de sete características que definem a SA , seguidas de sugestões e estratégias de sala de aula para lidar com esses sintomas . (intervenções em sala de aula são ilustradas com exemplos de minha própria experiência lecionando na Escola de Psiquiatria do Centro Médico para Crianças e Adolescentes da Universidade de Michigan . Essas sugestões são oferecidas somente no sentido mais geral , e devem ser adequadas às necessidades únicas de cada estudante com SA .

Insistência em semelhanças

Crianças com SA são facilmente oprimidas pelas mínimas mudanças , altamente sensíveis a pressões do ambiente e às vezes atraídas por rituais . São ansiosos e tendem a temer obsessivamente quando não sabem o que esperar . Stress , fadiga e sobrecarga emocional facilmente os afeta .

Sugestões:

·Fornecer ambiente previsível e seguro ;
· Minimizar as transições ;
· Oferecer rotinas diárias consistentes . A criança precisa entender cada rotina do dia e saber o que a espera , de forma a ser capaz de se concentrar na tarefa que tem em mãos ;
· Evitar surpresas : preparar a criança previamente para atividades especiais , mudanças de horários ou qualquer outra mudança de rotina , independente de quão mínima seja,
. Afastar o medo do desconhecido , mostrando à criança as novas atividades , professor , classe , escola , acampamento , etc com antecedência , tão cedo quanto possível depois dele/dela ser informada da mudança, para prevenir medo obsessivo . (por exemplo , quando a criança com SA precisa trocar de escola , ela deve ser apresentada ao novo professor , passear pela escola e ser informada de sua nova rotina antes de começar . A transição da escola velha precisa ser feita nos primeiros dias de forma que a rotina seja familiar para a criança no novo ambiente . O novo professor pode descobrir as áreas de especial interesse da criança e ter livros ou atividades relacionadas disponíveis no primeiro dia da criança .

Dificuldades em interações sociais

Crianças com SA mostram-se inábeis para entender regras complexas de interação social ; são ingênuas ; são extremamente egocêntricas ; podem não gostar de contatos físicos ; falam junto as pessoas em vez de para elas ; não entende brincadeiras , ironias ou metáforas ; usa tom de voz monótono ou estridente , não-natural ; uso inapropriado de olhar fixo e linguagem corporal ; são insensíveis e com o sentido do tato deficiente ; interpretam errado as deixas sociais ; não conseguem julgar as "distâncias sociais" exibindo pouca habilidade para iniciar e sustentar conversas ; tem discurso bem desenvolvido mas comunicação pobre ; são às vezes rotulados de "pequeno professor" porque seu estilo de falar é semelhante ao adulto e pedante ; são facilmente passados para trás (não percebem que outros às vezes os roubam ou enganam) ; normalmente desejam ser parte do mundo social .

Sugestões

· Proteger a criança de ser importunada ou bulida ;
· Nos grupos mais velhos , tentar educar os colegas sobre a criança com SA , quando a dificuldade social é severa , descrevendo seus problemas sociais como uma autêntica dificuldade . Elogiar os colegas quando o tratam com jeito . Isso pode prevenir que se torne bode expiatório , ao mesmo tempo que promove empatia e tolerância nas outras crianças ;
· Enfatizar as habilidades acadêmicas da criança com SA , criando situações cooperativas onde suas habilidades de leitura , vocabulário , memória e outras sejam vistas como vantajosas pelos colegas , aumentando dessa forma sua aceitação ;
· Muitas crianças com SA desejam ter amigos , mas simplesmente não sabem como interagir . Eles precisam ser ensinados a reagir a situações sociais e a ter um repertório de respostas para usar em várias situações sociais . Ensinar as crianças o que dizer e como dizer . Modelar interações bidirecionais e treinar . O julgamento social dessas crianças se desenvolve somente depois que lhes são ensinadas regras que os outros entendem intuitivamente . Um adulto com SA escreveu que ele aprendeu a "imitar o comportamento humano" . Um professor universitário com AA observou que seu esforço para entender as interações humanas o fez "sentir-se como um antropólogo em Marte" (Sacks, 1993, pg. 112) ;
· Embora sua dificuldade para entender as emoções dos outros , crianças com SA podem aprender a forma correta de reagir . Quando insultam sem querer , por imprudência ou insensibilidade , precisa ser explicado a eles porque a resposta foi inapropriada e qual teria sido a resposta correta . Indivíduos com SA precisam aprender as habilidades sociais intelectualmente : seu instinto social e intuição são falhos ;
· Estudantes mais velhos com SA podem se beneficiar do "sistema amigo" . O professor pode educar um colega sensível e hábil quanto à situação da criança com SA e sentá-los próximos . O colega pode cuidar da criança SA no ônibus , no recreio , nos corredores , etc , e tentar incluí-lo nas atividades da escola ;
· Crianças com SA tendem a ser reclusos ; o professor precisa incentivar o envolvimento com outros . Encorajar atividades sociais e limitar o tempo gasto em interesses isolados . Por exemplo , um auxiliar do professor sentado na mesa do lanche pode ativamente encorajar a criança com SA a participar da conversa com os colegas , não somente solicitando suas opiniões e lhe fazendo perguntas , mas também sutilmente incentivando as outras crianças a fazer o mesmo .

Gama restrita de interesses

Crianças com SA tem preocupações excêntricas ou ímpares, fixações intensas (às vezes colecionando obsessivamente coisas não-usuais). Eles tendem a "leitura" implacável nas áreas de interesse ; perguntam insistentemente sobre seus interesses ; tem dificuldades para ir avante com idéias ; seguem as próprias inclinações , a despeito da demanda externa ; às vezes recusam-se a aprender qualquer coisa fora do seu limitado campo de interesses .

Sugestões

· Não admitir que a criança com SA discuta perseverativamente ou faça perguntas sobre interesses isolados . Limitar esse comportamento designando um tempo específico do dia , quando a criança pode falar sobre isso . Por exemplo : a uma criança com SA com fixação em animais e tem inumeráveis perguntas sobre um tipo de tartarugas ser permitido fazer essas perguntas somente durante o recreio . Isso fará parte de sua rotina diária e ela aprenderá rapidamente a se interromper quando começar a fazer esse tipo de perguntas em outros horários do dia ;
· Uso de reforço positivo seletivo , direcionado a formar um comportamento desejado , é uma estratégia crítica para ajudar crianças com SA . Essas crianças respondem a elogios (por exemplo, no caso de um perguntador contumaz , o professor poderia premiá-lo consistentemente assim que ele pare e congratulá-lo por permitir que os outros também falem) . Essas crianças também devem ser premiadas por comportamentos simples e esperados que absorva de outras crianças ;
· Algumas crianças com SA não querem ensinamentos fora de sua área de interesse . Exigência firme deve ser feita para completar o trabalho de classe . Deve ficar muito claro para a criança SA que ela não está no controle e tem que seguir regras específicas . Ao mesmo tempo , no entanto , encontrar um meio-termo , dando-lhe a oportunidade de perseguir seus próprios interesses ;
·Para crianças particularmente obstinadas , pode ser necessário inicialmente individualizar todos os conteúdos em redor de sua área de interesse (por exemplo , se o interesse é dinossauros , oferecer sentenças de gramática , problemas de matemática , leitura e escrita sobre dinossauros) . Gradualmente introduzir outros tópicos .
· Estudantes podem receber a tarefa de relacionar seus interesses com o tema em estudo . Por exemplo , durante o estudo sobre um país específico , uma criança obssecada por trens pode receber a tarefa de pesquisar os meios de transporte usados naquele país ;
· Usar as fixações da criança como um caminho para abrir seu repertório de interesses . Por exemplo , durante uma unidade "corredores da floresta" o estudante com SA que tinha obsessão por animais foi levado não somente a estudar os animais corredores da floresta , mas a própria floresta , que é a casa dos animais . Ele se motivou a aprender sobre o povo local que era forçado a cortar as árvores do habitat dos animais da floresta para sobreviver .

Concentração fraca

Crianças com SA são freqüentemente desligadas , distraídas por estímulos internos ; são muito desorganizados ; tem dificuldade para sustentar o foco nas atividades de sala de aula (freqüentemente a atenção não é fraca , mas seu foco é "diferente" ; os indivíduos com SA não conseguem filtrar o que é relevante [Happe, 1991] , de modo que sua atenção é focada em estímulos irrelevantes) ; tendência a mergulhar num complexo mundo interno de uma maneira mais intensa que o típico "sonhar acordado" e tem dificuldade para aprender em situações de grupo .

Sugestões

Uma tremenda quantidade de estrutura externa precisa ser arregimentada se se espera que a criança com SA seja produtiva em sala de aula . Conteúdos devem ser divididos em pequenas unidades e o professor deve oferecer freqüentes feedbacks e redirecionamentos ;
Crianças com problemas severos de concentração se beneficiam de sessões de trabalho com tempo definido . Isso as ajuda a se organizar . Trabalho de classe que não seja completado no tempo limite (ou feito sem cuidado dentro do tempo limite) deve ser completado no tempo particular da criança (isto é , durante o recreio ou durante o tempo usado para seus interesses especiais) . Crianças com SA podem às vezes "empacar" ; eles precisam de convicção e programa estruturado que os ensine que agir conforme as regras leva a reforço positivo (esse tipo de programa motiva a criança SA a ser produtiva , aumentando a auto-estima e diminuindo o nível de stress , porque a criança vê a si própria como competente) ;
· No caso de estudantes de ensino regular , fraca concentração , baixa velocidade e desorganização severa podem tornar necessário diminuir sua carga de tarefas de casa/classe e/ou arranjar tempo numa sala de recuperação onde um professor especial possa dar-lhe a estrutura adicional que precisa para completar as tarefas de classe e casa (algumas crianças com SA são tão inábeis para se concentrar que isso gera stress indevido nos pais , por esperar-se que eles gastem horas toda noite tentando fazer a lição de casa com seu filho) ;
· Sentar a criança com SA na frente da classe e fazer-lhe freqüentes perguntas diretas , para ajudá-lo a prestar atenção à lição ;
· Trabalhar uma sinalização não-verbal com a criança (por exemplo , um gentil toque no ombro) quando não estiver atenta;
· Se o "sistema amigo" for usado , sentar o amigão junto a ele , de modo que este possa lembrá-lo a voltar à tarefa ou prestar atenção à lição ;
· O professor precisa encorajar ativamente a criança com SA a deixar suas idéias e fantasias para trás e se focar no mundo real . Isso é uma batalha constante , uma vez que o conforto desse mundo interior é tido como muito mais atraente que qualquer coisa na vida real . Para crianças pequenas , até mesmo jogos livres precisam ser estruturados , porque eles podem entrar num mundo solitário , e jogos ritualizados de fantasia podem levá-los a perder contato com a realidade . Encorajando a criança com SA a brincar com uma ou duas outras crianças , com supervisão , não somente estrutura os jogos como oferece a oportunidade de praticar habilidades sociais .

Fraca coordenação motora

Crianças com SA são fisicamente desajeitadas e rudes ; tem andar duro e desgracioso ; são mal sucedidos em jogos envolvendo habilidades motoras ; e experimentam déficit em motricidade fina que causa problemas de caligrafia , baixa velocidade de escrita e afeta sua habilidade para desenhar .

Sugestões

· Encaminhar a criança com SA para um programa de educação física adaptado , se os problemas motores grossos forem severos ;
· Envolver a criança com SA num currículo de saúde e forma física , ao invés de em esportes competitivos ;
· Não empurrar a criança a participar em esportes competitivos , uma vez que sua fraca coordenação motora só pode levar a frustração e rejeição dos membros do time . À criança com SA falta a compreensão social da coordenação das ações de cada um sobre os outros do time ;
· Crianças com SA podem precisar de um programa altamente individualizado que imponha traçar e copiar no papel , acoplado com padrões motores no quadro negro . O professor guia a mão da criança repetidamente , formando as letras e conexões das letras e também usa a descrição verbal . Uma vez que a criança guarde a descrição na memória , ela pode falar para si própria enquanto forma as letras , independentemente ;
· Crianças pequenas com SA se beneficiam com linhas guia , que os ajudam a controlar o tamanho e uniformidade das letras que escrevem . Isso também as força a usar o tempo para escrever com atenção ;
· Quando aplicando tarefas com tempo definido , certificar-se que a menor velocidade de escrita da criança esteja sendo levada em conta ;
· Indivíduos com SA podem precisar de mais tempo que seus colegas para completar as provas (fazer as provas na sala de apoio não somente oferece mais tempo mas também fornece a estrutura adicional e o redirecionamento do professor que essas crianças precisam para se focar na tarefa em mãos) .

Dificuldades acadêmicas

Crianças com SA usualmente tem inteligência média ou acima da média (especialmente na esfera verbal) mas falham em pensamentos de alto nível e habilidades de compreensão . Tendem a ser muito literais : suas imagens são concretas , a abstração é pobre . Seu estilo pedante de falar e impressionante vocabulário dão a falsa impressão de que entendem daquilo que estão falando , quando em verdade estão meramente papagueando o que leram ou ouviram . A criança com SA freqüentemente tem excelente memória , mas isso é de natureza mecânica , ou seja , a criança pode responder como um vídeo que toca em seqüência . As habilidades de solução de problemas são fracas .

Sugestões

· Providenciar um programa acadêmico altamente individualizado , estruturado de forma a oferecer sucessos consistentes . A criança com SA precisa de grande motivação para não seguir seus próprios impulsos . Aprender precisa ser gratificante e não um motivo de ansiedade ;
· Não assumir que a criança com SA aprendeu alguma coisa só porque ela papagueou o que ouviu ;
· Oferecer explicação adicional e tentar simplificar quando os conceitos da lição são abstratos ;
· Capitalizar sua memória excepcional : reter informações fatuais é freqüentemente seu forte ;
· Nuances emocionais , múltiplos níveis de significado e relacionamentos , como os presentes em livros de romance , serão freqüentemente não compreendidos ;
· As colocações escritas de indivíduos com SA são freqüentemente repetitivas , fogem de um objeto para outro e contém incorretas conotações para as palavras . Essas crianças freqüentemente não sabem a diferença entre conhecimento geral e idéias pessoais e , então , assumem que o professor irá entender suas expressões às vezes sem sentido ;
· Crianças com SA freqüentemente tem excelentes habilidades de reconhecimento de leitura , mas a compreensão da linguagem é fraca . Cautela ao assumir que entenderam aquilo que leram com tanta fluência ;
· O trabalho acadêmico pode ser de baixa qualidade porque a criança com SA não é motivada a aplicar esforço em áreas nas quais não se interessa . Expectativas muito firmes devem ser levantadas sobre a qualidade do trabalho produzido . O trabalho executado dentro do tempo previsto deve ser não somente completo , mas feito com cuidado . A criança com SA deve corrigir tarefas de classe mal feitas durante o recreio ou durante o tempo que normalmente usa para seus interesses particulares .

Vulnerabilidade emocional

Crianças com Síndrome de Asperger tem a inteligência para cursar o ensino regular , mas elas freqüentemente não tem a estrutura emocional para enfrentar as exigências de sala de aula . Essas crianças são facilmente estressadas devido à sua inflexibilidade . A auto-estima é pequena , e eles freqüentemente são muito autocríticos e inábeis para tolerar erros . Indivíduos com AS , especialmente adolescentes , podem ser inclinados à depressão (é documentada uma alta percentagem de adultos SA com depressão) . Reações de raiva são comuns em resposta a stress/frustração . Crianças com SA raramente relaxam e são facilmente acabrunhados quando as coisas não são como sua forma rígida diz que devem ser . Interagir com pessoas e copiar as demandas do dia-a-dia lhes exige um esforço hercúleo .

Sugestões:

· Prevenir explosões oferecendo um alto nível de consistência . Preparar a criança para mudanças na rotina diária , para diminuir o stress (veja a sessão "Resistência a Mudanças") . Crianças com SA freqüentemente se tornam amedrontadas , raivosas e inquietas em face a mudanças forçadas ou não esperadas ;
· Ensinar à criança como lidar quando o stress a sobrecarrega , para prevenir explosões . Ajudar a criança a escrever uma lista de passos bem concretos que possam ser seguidos quando estiver confusa (por exemplo, 1- respirar fundo três vezes; 2- contar os dedos de sua mão direita lentamente , três vezes ; 3- pedir para ver o pedagogo, etc.) . Incluir na lista um comportamento ritualizado que a criança ache reconfortante na lista . Escrever esses passos num cartão que vá no bolso da criança de modo que sempre esteja disponível para ler ;
· Efeitos refletidos na voz do professor devem ser reduzidos ao mínimo . Seja calmo , previsível , e senhor dos fatos nas interações com crianças com AS , enquanto claramente indique compreensão e paciência. Hans Asperger (1991) , o psiquiatra que deu seu nome à síndrome , notou que "o professor que não entende que é necessário ensinar às crianças [com SA] coisas óbvias se sentirá impaciente e irritado" (pg.57) . Não espere que a criança com SA reconheça que está triste/deprimida . Da mesma forma que não percebem os sentimentos dos outros , essas crianças podem ser também inconscientes de seus próprios sentimentos . Elas freqüentemente cobrem sua depressão e negam seus sintomas ;
· Professores devem estar alertas para mudanças no comportamento que possam indicar depressão, como níveis excepcionais de desorganização , apatia ou isolamento ; limiar de stress diminuído ; fadiga crônica ; choro ; anotações suicidas , etc . Não aceitar a afirmação da criança , nesses casos , de que está "OK" ;
· Informe sintomas para o terapeuta da criança ou faça um exame de saúde mental , de modo que a criança possa ser avaliada quanto a depressão e receba tratamento , se necessário . Devido a essas crianças não serem capazes de perceber suas próprias emoções e não poderem procurar conforto com os outros , é crítico que depressão seja diagnosticada rapidamente ;
· Esteja consciente que adolescentes com SA são especialmente sujeitos a depressão . Habilidades sociais são altamente valiosas na adolescência e o estudante com SA é diferente e tem dificuldades para formar relacionamentos normais . O trabalho acadêmico freqüentemente se torna mais abstrato e o adolescente com SA encontra tarefas mais difíceis e complexas . Em um caso , o professor notou que um adolescente com SA parou de reclamar das tarefas de matemática e então acreditou que ele estava copiando muito melhor. Na realidade , sua subseqüente organização e produtividade decaiu em matemática . Ele escapou para seu mundo interior para esquecer de matemática , e então simplesmente parou de copiar ;
·É crítico que adolescentes com SA que estejam no ensino regular tenham um membro do staff de suporte com quem possam fazer uma checagem pelo menos uma vez por dia . Essa pessoa pode ver como ele está copiando as aulas diariamente e encaminhar observações para os outros professores ;
· Crianças com SA precisam receber assistência acadêmica assim que dificuldades numa área em particular sejam notadas . Essas crianças são rapidamente sobrecarregadas e reagem muito mais severamente a falhas que outras crianças ;
· Crianças com SA que sejam muito frágeis emocionalmente podem precisar ser colocadas numa sala de aula altamente estruturada de educação especial que possa oferecer programa acadêmico individualizado . Essas crianças precisam de um ambiente no qual possam ver a si próprias como competentes e produtivas . Nesses casos , colocá-las no ensino regular , onde não podem absorver conceitos ou completar tarefas , serve somente para diminuir sua auto-estima , aumentar seu afastamento e colocá-las em estado de depressão . (Em algumas situações , uma tutora particular pode ser melhor para a criança com SA que educação especial . A tutora oferece suporte afetivo , estruturado e realimentação consistente) .
Crianças com a síndrome de Asperger são tão facilmente sobrecarregadas pelas pressões do ambiente , e tem tão profunda diferença na habilidade de formar relações interpessoais , que não é de se surpreender que causem a impressão de "frágil vulnerabilidade e infantilidade patética" (Wing, 1981, pg. 117) . Everard (1976) escreveu que quando esses jovens são comparados aos colegas sem problemas "instantaneamente se nota como são diferentes e que enormes esforços tem de fazer para viver num mundo onde não se fazem concessões e onde se esperam que sejam conformes" (pg.2) .
Professores podem ter significado vital em ajudar a criança com SA a aprender a negociar com o mundo ao seu redor . Uma vez que as crianças com SA são freqüentemente inábeis para expressar seus medos e ansiedades, é muito importante que adultos façam isso por eles para levá-los do mundo seguro de fantasia em que vivem para as incertezas do mundo externo . Profissionais que trabalham com esses jovens na escola fornecem estrutura externa, organização e estabilidade que lhes falta. O uso de técnicas didáticas criativas, com suporte individual para a síndrome de Asperger é crítico, não somente para facilitar o sucesso acadêmico, mas também para ajudá-los a sentir-se menos alienados de outros seres humanos e menos sobrecarregados pelas demandas do dia-a-dia .

http://autismo-br.com.br/home/Asperger.htm

A seguir apresentamos alguns endereços que tratam sobre a síndrome de asperger, existe muita informação, muitos endereços, mas infelizmente a maioria é em inglês . Se você tem dificuldades em inglês, use o
TraduzTudo, um software para tradução , que ajuda bastante . Listamos abaixo alguns endereços:

http://www.rmplc.co.uk/eduweb/sites/autism/autism7.

PARALISIA CEREBRAL

Introdução

O termo paralisia cerebral (PC) é usado para definir qualquer desordem caracterizada por alteração do movimento secundária a uma lesão não progressiva do cérebro em desenvolvimento.
O cérebro comanda as funções do corpo. Cada área do cérebro é responsável por uma determinada função, como os movimentos dos braços e das pernas, a visão, a audição e a inteligência. Uma criança com PC pode apresentar alterações que variam desde leve incoordenacão dos movimentos ou uma maneira diferente para andar até inabilidade para segurar um objeto, falar ou deglutir.
O desenvolvimento do cérebro tem início logo após a concepção e continua após o nascimento. Ocorrendo qualquer fator agressivo ao tecido cerebral antes, durante ou após o parto, as áreas mais atingidas terão a função prejudicada e, dependendo da importância da agressão, certas alterações serão permanentes caracterizando uma lesão não progressiva.
Dentre os fatores potencialmente determinantes de lesão cerebral irreversível, os mais comumente observados são infecções do sistema nervoso, hipóxia (falta de oxigênio) e traumas de crânio. O desenvolvimento anormal do cérebro pode também estar relacionado com uma desordem genética, e nestas circunstâncias, geralmente, observa-se outras alterações primárias além da cerebral. Em muitas crianças, a lesão ocorre nos primeiros meses de gestação e a causa é desconhecida.

Tipos de Paralisia Cerebral

O tipo de alteração do movimento observado está relacionado com a localização da lesão no cérebro e a gravidade das alterações depende da extensão da lesão. A PC é classificada de acordo com a alteração de movimento que predomina. Formas mistas são também observadas.

Espástica

Quando a lesão está localizada na área responsável pelo início dos movimentos voluntários, trato piramidal, o tônus muscular é aumentado, isto é, os músculos são tensos e os reflexos tendinosos são exacerbados. Esta condição é chamada de paralisia cerebral espástica.
As crianças com envolvimento dos braços, das pernas, tronco e cabeça (envolvimento total) têm tetraplegia espástica e são mais dependentes da ajuda de outras pessoas para a alimentação, higiene e locomoção. A tetraplegia está geralmente relacionada com problemas que determinam sofrimento cerebral difuso grave (infecções, hipóxia e traumas) ou com malformações cerebrais graves.
Quando a lesão atinge principalmente a porção do trato piramidal responsável pelos movimentos das pernas, localizada em uma área mais próxima dos ventrículos (cavidades do cérebro), a forma clínica é a diplegia espástica, na qual o envolvimento dos membros inferiores é maior do que dos membros superiores. A região periventricular é muito vascularizada e os prematuros, por causa da imaturidade cerebral, com muita frequência apresentam hemorragia nesta área. As alterações tardias provocadas por esta hemorragia podem ser visualizadas com o auxílio da neuroimagem (leucomalácea periventricular). Por este motivo, a diplegia espástica é quase sempre relacionada com prematuridade. Esta forma é menos grave do que a tetraplegia e a grande maioria das crianças adquire marcha independente antes dos oito anos de idade.
Na hemiplegia espástica, são observadas alterações do movimento em um lado do corpo, como por exemplo, perna e braço esquerdos. As causas mais freqüentes são alguns tipos de malformação cerebral, acidentes vasculares ocorridos ainda na vida intra-uterina e traumatismos crânio-encefálicos. As crianças com este tipo de envolvimento apresentam bom prognóstico motor e adquirem marcha independente. Algumas apresentam um tipo de distúrbio sensorial que impede ou dificulta o reconhecimento de formas e texturas com a mão do lado da hemiplegia. Estas crianças têm muito mais dificuldade para usar a mão.
As crianças com espasticidade tendem a desenvolver deformidades articulares porque o músculo espástico não tem crescimento normal. Flexão e rotação interna dos quadris, flexão dos joelhos e equinismo são as deformidades mais freqüentes nas crianças que adquirem marcha. Além destas, as crianças com tetraplegia espástica podem desenvolver ainda, luxação paralítica dos quadris e escoliose.

Com movimentos involuntários

Quando a lesão está localizada nas áreas que modificam ou regulam o movimento, trato extrapiramidal, a criança apresenta movimentos involuntários, movimentos que estão fora de seu controle e os movimentos voluntários estão prejudicados.
Esta condição é definida como paralisia cerebral com movimentos involuntários forma coreoatetósica ou distônica. O termo coreoatetose é usado para definir a associação de movimentos involuntários contínuos, uniformes e lentos (atetósicos) e rápidos, arrítmicos e de início súbito (coreicos). A criança com PC tipo distônica apresenta movimentos intermitentes de torção devido à contração simultânea da musculatura agonista e antagonista, muitas vezes acometendo somente um lado do corpo. A PC com movimentos involuntários está freqüentemente relacionada com lesão dos gânglios da base (núcleos localizados no centro do cérebro, formados pelos corpos dos neurônios que compõem o trato extra-piramidal), causada por hiperbilirrubinemia neonatal. A bilirrubina é um pigmento amarelo liberado das hemáceas (células do sangue que transportam o oxigênio) quando elas se rompem. Nas incompatibilidades sanguíneas, este pigmento pode ser liberado em grande quantidade. O recém-nascido torna-se ictérico (a pele e as conjuntivas assumem uma cor de tonalidade amarela). Assim como esse pigmento se deposita na pele, pode se depositar também nos gânglios da base. Os movimentos involuntários podem ser leves ou acentuados e são raramente observados durante o primeiro ano de vida. Nas formas graves, antes desta idade a criança apresenta hipotonia (tônus muscular diminuído) e o desenvolvimento motor é bastante atrasado. Muitas crianças não são capazes de falar, andar ou realizar movimentos voluntários funcionais e são, portanto, dependentes para a alimentação, locomoção e higiene.

Atáxica

A paralisia cerebral atáxica está relacionada com lesões cerebelares ou das vias cerebelares. Como a função principal do cerebelo é controlar o equilíbrio e coodenar os movimentos, as crianças com lesão cerebelar apresentam ataxia ou seja, marcha cambaleante por causa da deficiência de equilíbrio, e apresentam, ainda, incoordenação dos movimentos com incapacidade para realizar movimentos alternados rápidos e dificuldade para atingir um alvo. Por exemplo, se a criança for apertar um botão que liga/desliga um aparelho elétrico com o seu indicador, ela tem dificuldade para comandar o movimento de maneira a colocar o dedo exatamente sobre o botão e no final do movimento observa-se um tremor grosso. Quando a lesão é muito extensa, o atraso do desenvolvimento motor é importante e é possível que a criança nunca seja capaz de andar sem apoio. Assim como nas formas extrapiramidais de PC, durante o primeiro ano de vida, a alteração observada é a hipotonia. A alteração mais freqüentemente encontrada é a ataxia associada a sinais piramidais (tônus muscular aumentado e reflexos tendinosos exacerbados). Ataxia pura em crianças com PC é rara.

Causas

Desde que o médico inglês William Little, nos anos 1860s, descreveu pela primeira vez as alterações clínicas encontradas em uma criança com PC e relacionou estas alterações com hipóxia (baixa de oxigênio), se valorizou muito o papel da hipóxia perinatal e dos traumas de parto como fatores determinantes de lesões cerebrais irreversíveis. E mesmo depois de Sigmund Freud, em 1897, ter chamado a atenção para o fato de que se muitas das crianças apresentavam além das alterações motoras, outros problemas, tais como, retardo mental, convulsões e distúrbios visuais, o mais provável é que a causa pudesse estar também relacionada com agressões ocorridas em fases bem mais precoces da vida intra-uterina, a hipóxia perinatal foi considerada até recentemente como a principal causa de PC. O pensamento de Freud era que em certos casos, os problemas ao nascer seriam, na realidade, conseqüência de um desenvolvimento anormal do cérebro.
Durante anos, essas observações de Freud não foram muito valorizadas até que no final dos anos 1980s, pesquisas importantes realizadas nos Estados Unidos e na Austrália demonstraram que tanto a hipóxia quanto outros problemas neonatais não são as principais causas de PC e que na maioria das crianças com PC a causa era desconhecida. Desordens genéticas, fatores teratogênicos ou outras influências nas fases iniciais da gravidez teriam que ser mais intensamente investigadas. Com os avanços da tecnologia para diagnóstico, principalmente nas áreas da imagem e da genética, uma melhor compreensão das causas de PC vem sendo cada vez mais possível. Um número significativo de crianças que antes recebiam o diagnóstico de PC por hipóxia perinatal porque demoraram para chorar e tiveram cianose (ficaram roxinhas), hoje, depois da ressonância magnética, recebem o diagnóstico de uma malformação cerebral, e a implicação deste fato é que a causa do problema é uma desordem genética ou um fator agressivo ocorrido nas primeiras semanas ou meses de gestação.
Dentre as causas pré-natais, além das desordens genéticas, as mais importantes são infecções congênitas (citomegalia, toxoplasmose, rubéola) e hipóxia fetal decorrente de complicações maternas, como no caso das hemorragias. A exposição da mãe a substâncias tóxicas ou agentes teratogênicos tais como radiação, álcool, cocaína e certas medicações principalmente nos primeiros meses de gestação são fatores de risco que têm que ser considerados.
As causas perinatais estão relacionadas principalmente com complicações durante o parto, prematuridade e hiperbilirrubinemia.
As principais causas de paralisia cerebral pós-natal são infecções do sistema nervoso central (meningites e encefalites), traumatismo crânio-encefálico e hipóxia cerebral grave (quase afogamento, convulsões prolongadas e parada cardíaca).

Prevenção

Acompanhamento pré-natal regular e boa assistência ao recém-nascido na sala de parto diminuem a possibilidade de certas crianças desenvolverem lesão cerebral permanente. Por outro lado, muitas das crianças que superam situações críticas com a ajuda de recursos sofisticados das terapias intensivas neonatais modernas, principalmente os prematuros, sobrevivem, mas com seqüelas neurológicas. Portanto, apesar de ter havido uma evolução importante em termos de atendimento à gestante e ao recém-nascido na sala de parto, nos últimos 40 anos não houve uma redução significativa da prevalência da PC mesmo nos países desenvolvidos. De qualquer forma, houve uma modificação da história natural. Muitas das formas graves de PC estão relacionadas com causas que podem ser prevenidas como hipóxia perinatal, infecções congênitas e hiperbilirrubinemia neonatal, e a prematuridade está relacionada com diplegia espástica, tipo de paralisia cerebral de melhor prognóstico.
Todo esforço para que o período gestacional seja o mais saudável possível através da manutenção de uma boa nutrição e da eliminação do uso de álcool, fumo, drogas e medicações sabidamente teratogênicas deve ser feito, pois estas medidas estarão contribuindo para a prevenção de alguns tipos de PC. A rubéola congênita pode ser prevenida se a mulher for vacinada antes de engravidar. Quanto à toxoplasmose materna, medidas de higiene, como não ingerir carnes mal cozidas ou verduras que possam estar contaminadas com fezes de gato são importantes. As gestantes com sorologia positiva devem ser adequadamente tratadas, diminuindo assim os riscos de infecção fetal. A incompatibilidade Rh pode ser facilmente prevenida (vacina anti-Rh+) e identificada. Quando a bilirrubina não conjugada no recém-nascido atinge níveis críticos, a criança deve ser submetida a ex-sanguíneotransfusão (troca de parte do volume sanguíneo). O tratamento adequado da incompatibilidade sanguínea reduziu em muito a incidência da PC com movimentos involuntários.
No período pós-natal, uma das principais causas de PC é o traumatismo crânio-encefálico que pode ser prevenido, em algumas circunstâncias, com o uso de cadeiras de segurança especiais para crianças pequenas, ajustadas nos bancos dos automóveis. Outra causa importante é a anóxia cerebral grave por quase afogamento e o número de crianças com lesão cerebral por quase afogamento em Brasília é relativamente elevado, justificando uma campanha de prevenção. Algumas das infecções cerebrais podem ser prevenidas com vacinas, como por exemplo, contra sarampo, meningite meningogócica e Haemophilus influenzae.

Diagnóstico

Dificuldade de sucção, tônus muscular diminuído, alterações da postura e atraso para firmar a cabeça, sorrir e rolar são sinais precoces que chamam a atenção para a necessidade de avaliações mais detalhadas e acompanhamento neurológico.
A história clínica deve ser completa e o exame neurológico deve incluir a pesquisa dos reflexos primitivos (próprios do recém-nascido), porque a persistência de certos reflexos além dos seis meses de idade pode indicar presença de lesão cerebral. Reflexos são movimentos automáticos que o corpo faz em resposta a um estímulo específico. O reflexo primitivo mais conhecido é o reflexo de Moro que pode ser assim descrito: quando a criança é colocada deitada de costas em uma mesa sobre a palma da mão de quem a examina, a retirada brusca da mão causa um movimento súbito da região cervical, o qual inicia a resposta que consiste inicialmente em abdução (abertura) e extensão dos braços com as mãos abertas seguida de adução (fechamento) dos braços como em um abraço. Este reflexo é normalmente observado no recém-nascido, mas com a maturação cerebral, respostas automáticas como esta são inibidas. O reflexo de Moro é apenas um dentre os vários comumente pesquisados pelo pediatra ou fisioterapeuta.
Depois de colhida a história clínica e realizado o exame neurológico, o próximo passo é afastar a possibilidade de outras condições clínicas ou doenças que também evoluem com atraso do desenvolvimento neurológico ou alterações do movimento como as descritas anteriormente. Exames de laboratório (sangue e urina) ou neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) poderão ser indicados de acordo com a história e as alterações encontradas ao exame neurológico. Estes exames, em muitas situações, esclarecem a causa da paralisia cerebral ou podem confirmar o diagnóstico de outras doenças.

Desordens Associadas

O termo paralisia cerebral implica alterações do movimento, mas a presença de outros distúrbios deve ser investigada e o sucesso do tratamento depende da abordagem correta de todos os problemas associados.

Retardo Mental
A avaliação da função intelectual em crianças com certos tipos de envolvimento é difícil, porque a maioria dos testes normalmente aplicados para avaliar o desenvolvimento cognitivo requer respostas verbais e motoras, e um julgamento baseado apenas nas impressões iniciais pode levar a uma conclusão incorreta.
Muitas crianças com disartria grave, a princípio consideradas como intelectualmente deficientes, a partir do momento em que puderam se comunicar utilizando meios alternativos, foram reconhecidas como sendo muito mais capazes intelectualmente do que se supunha. De qualquer maneira, a alta incidência de alterações cognitivas em alguns tipos de PC é reconhecida. O retardo mental é mais comumente observado nas crianças com tetraplegia espástica.

Epilepsia

Os neurônios (células nervosas) estão permanentemente gerando impulsos elétricos. Esta atividade elétrica ocorre, normalmente, de uma maneira organizada. Quando certos grupos de neurônios entram em atividade excessiva e hipersincrônica, ou seja, quando vários neurônios entram em atividade elétrica ao mesmo tempo, ocorre um distúrbio do funcionamento do sistema nervoso central. Estes episódios de descarga elétrica anormal são chamados de crises epilépticas. Estas crises podem evoluir com hiperextensão e contrações musculares (convulsões), perda súbita do tônus muscular, perda ou alteração temporária da consciência e alteração temporária do comportamento.
Uma criança em crise pode apresentar os seguintes sinais: contrações musculares generalizadas ou localizadas, movimentos rítmicos com a cabeça, desvio do olhar para cima ou para o lado, movimentos rápidos de piscar os olhos, movimentos mastigatórios, ausência de resposta a uma solicitação verbal, episódios breves de olhar parado ou vago, ou crises de medo.
Quando existe dúvida quanto à possibilidade da criança estar apresentando qualquer um desses sinais, o melhor a fazer é registrar as alterações observadas procurando descrever o sintoma, que parte do corpo envolveu, a hora em que ocorreu e quanto tempo durou. Somente o médico, muitas vezes com o auxílio do eletroencefalograma (EEG), pode confirmar se a criança está realmente apresentando crises e orientar o tratamento correto. O EEG pode ser visto como uma extensão do exame neurológico e o que ele registra é basicamente a atividade elétrica expontânea do cérebro. Muitas vezes, mesmo para o pediatra ou neurologista, é difícil definir se as crises são realmente epilépticas ou se estão relacionadas com outros tipos de distúrbio. Nesses casos, os estudos feitos com EEG prolongado e vídeo podem esclarecer o diagnóstico.
Além da epilepsia, muitas outras condições podem determinar crises convulsivas isoladas tais como desidratação grave, hipoglicemia, infecções cerebrais ou intoxicações. O que caracteriza a epilepsia é a repetição de crises não provocadas, ou seja, não determinadas por um processo patológico agudo.
A Liga Internacional contra a Epilepsia classifica as crises em generalizadas e parciais. As generalizadas envolvem o cérebro como um todo. As parciais permanecem restritas a uma certa área do cérebro e os sintomas dependem da área envolvida. Uma criança com PC pode apresentar qualquer tipo de crise.
A crise do tipo tônico-clônica generalizada é a que mais preocupa os pais ou outras pessoas que a presenciam, mas na maioria das vezes ela é auto-limitada e para em dois a dez minutos. Na presença de uma crise tônico-clônica generalizada, a criança deve ser protegida de traumas, as contrações musculares não devem ser contidas e a cabeça deve ser mantida em posição rodada lateralmente para evitar aspirações no caso de vômitos. Não se deve tracionar a língua ou introduzir qualquer objeto na boca da criança. A respiração pode alterar-se durante a crise, mas normaliza-se nos primeiros minutos. Quando a criança apresenta crises sub-entrantes, sem retomar a consciência entre uma e outra, ou uma crise tônico-clônica com mais de 20 minutos de duração, ela entra em estado de mal epiléptico (status epilepticus). O estado de mal epiléptico é uma emergência pediátrica.
O tratamento da epilepsia deve ser introduzido assim que se faz o diagnóstico. Nas fases iniciais do tratamento com anticonvulsivantes, algumas crianças apresentam sonolência, mas esta reação tende a desaparecer ao final de um certo período. Qualquer reação deve ser relatada ao pediatra ou neurologista e algumas delas, como irritabilidade ou as de tipo alérgico justificam a substituição do anticonvulsivante. Quando as crises são controladas, melhora tanto motora quanto cognitiva pode ser observada e, mesmo tendo cessado as crises, o tratamento deve ser mantido por, no mínimo, dois ou três anos. Uma vez iniciado o anticonvulsivante, a dose somente deve ser alterada conforme orientação médica. A suspensão súbita da medicação pode desencadear estado de mal epiléptico com possibilidade de agravamento do quadro neurológico. Algumas formas de epilepsia são resistentes ao tratamento com anticonvulsivantes

Aterações Visuais

Quando a criança nasce, o seu sistema visual não é ainda maturo. A fóvea, parte da retina responsável pela acuidade visual, não está completamente desenvolvida. As células desta região passam por um processo de crescimento e organização e somente alcançam a maturidade por volta dos quatro anos de idade. Normalmente, em torno dos três meses de vida, a criança já é capaz de fixar e acompanhar um objeto em movimento, mas a visão binocular se desenvolve somente entre o terceiro e o sétimo mês.
Na PC, o estrabismo é freqüente. Catarata (opacidade do cristalino), coriorretinite (inflamação da coroide e da retina) e glaucoma (aumento da pressão ocular) são desordens oculares comumente encontradas nas infecções congênitas.
Aproximadamente 2/3 dos prematuros de peso abaixo de 1250g desenvolvem algum grau de retinopatia do prematuro. Nos prematuros, o oxigênio usado para tratar a síndrome de esforço respiratório pode alterar o crescimento dos vasos sanguíneos da retina, predispondo a miopia, estrabismo e glaucoma. Nos casos mais graves, uma cicatriz fibrosa descola a retina do fundo do olho determinando perda da visão. Mesmo se tomando todas as medidas para prevenir a retinopatia do prematuro, ela pode ocorrer, e por este motivo, todos os prematuros tratados com oxigênio devem ser referidos para avaliações oftalmológicas periódicas durante os primeiros meses de vida.
A córtex visual é a região do lobo occipital responsável pela recepção e decodificação da informação enviada pelos olhos. Uma lesão nesta área pode determinar perda visual que neste caso é chamada de deficiência visual cortical (DVC). As causas mais frequentes de DVC são hipóxia, infecções do sistema nervoso central, traumatismo crânio-encefálico e hidrocefalia. Os testes eletrofisiológicos completam a avaliação clínica e podem determinar se a causa da deficiência visual está nos olhos ou no cérebro. O eletrorretinograma avalia a função retiniana e o potencial evocado visual avalia as vias nervosas do olho até a córtex visual. Na DVC, apesar dos testes iniciais indicarem deficiência importante, muitas crianças desenvolvem alguma função visual e a estimulação favorece de alguma maneira o desenvolvimento da visão.
É importante fazer a diferença entre DVC e atraso da maturação visual nas crianças que apresentam resposta inadequada aos estímulos visuais. As crianças com atraso da maturação visual, geralmente, não têm história de problemas durante a gestação ou o nascimento e têm exame oftalmológico normal, embora possam apresentar algum atraso do desenvolvimento psicomotor. O prognóstico é bom, ocorrendo melhora espontânea da função visual com o desenvolvimento da criança.
Todas as crianças com diminuição da resposta aos estímulos visuais ou alterações oculares devem ser avaliadas por oftalmologista interessado no diagnóstico e tratamento das doenças oculares infantis.

Deficiência Auditiva

Algumas crianças com paralisia cerebral têm deficiência auditiva e o diagnóstico precoce é importante porque no primeiro ano de vida, a experiência de escutar a fala humana orienta a formação de conexões nervosas em nível encefálico relacionadas à capacidade de linguagem e comunicação oral. A privação sensorial, nessa fase, pode comprometer o desenvolvimento dessas conexões. Alguns estudos em crianças com deficiência auditiva demonstraram que, mais do que o grau da deficência, o diagnóstico e a intervenção precoce (marcadamente até os 6 meses de idade) foram o melhor fator prognóstico para a aquisição da linguagem.
Na década de 80, o Comitê Americano para Audição na Infância recomendava a triagem neonatal para todas as crianças de risco (infecções congênitas, malformações do pavilhão auricular, face ou pálato, peso ao nascer inferior a 1500g, hiperbilirrubinemia neonatal grave, meningite bacteriana, asfixia perinatal e uso de medicações tóxicas para o ouvido). Contudo constatou-se que investigar apenas as crianças de risco permite identificar somente cerca de 50% dos casos de deficiência auditiva. A partir de 1994 foi proposta então a Triagem Auditiva Neonatal Universal.
Os métodos propostos para esta triagem são o potencial evocado auditivo de tronco encefálico (Brainstem Evoked Response Audiometry - BERA) e as emissões otoacústicas evocadas ('teste da orelhinha'), ditas fisiológicas, porque não é necessária uma resposta comportamental da criança para a interpretação do resultado. O primeiro teste consiste na medida eletrofisiológica do nervo auditivo e das vias auditivas no tronco encefálico para diferentes tipos de sons e o segundo no registro da resposta sonora natural apresentada pelas células ciliadas da cóclea a um estímulo sonoro. São métodos rápidos, não invasivos e de fácil aplicação. Um resultado anormal não é conclusivo para o diagnóstico de deficiência auditiva, mas indica a necessidade de avaliação audiológica completa em serviço especializado.
O diagnóstico precoce de deficiência auditiva possibilita a intervenção precoce favorecendo o processo de aprendizagem. O programa de tratamento pode englobar uso de amplificadores, implante coclear, linguagem de sinais e treinamento da fala.

Dificuldades para a Alimentação

Desordens da sucção, mastigação e deglutição são comuns nas crianças com envolvimento total. Todos estes fatores contribuem para uma ingesta alimentar abaixo das necessidades. Além disso, muitas crianças com limitações motoras são mantidas por longos períodos com dietas próprias para bebês. A oferta monótona de certos tipos de alimento, tais como, leite e derivados, farináceos ou sucos após os seis meses de idade pode determinar quadros de anemias carenciais (principalmente por falta de ferro), desnutrição e infecções de repetição. A criança desnutrida não cresce normalmente e sua resposta aos estímulos que promovem o desenvolvimento é prejudicada.
A dieta deve ser planejada de acordo com as características clínicas e as limitações de cada criança. Por exemplo, para facilitar a deglutição e reduzir o refluxo de parte do conteúdo gástrico para o esôfago, recomenda-se manter a criança com a cabeça e o tronco em posição semi-elevada durante e por alguns minutos após cada refeição. Nas crianças com refluxo gastroesofágico, as refeições devem ser de menor volume e oferecidas em intervalos de tempo menores para que não haja prejuízo do total de nutrientes ingeridos em um dia. As crianças com dificuldade para deglutir líquidos, devem ser alimentadas com pequenos volumes de dieta pastosa e de sucos engrossados com frutas e gelatinas, procurando-se assim manter um bom nível de hidratação.

Constipação Intestinal

Quanto mais tempo as fezes permanecem no colo, maior é a absorção de água e mais endurecidas elas ficam, resultando em constipação. A constipação intestinal crônica decorre de vários fatores, entre os quais pequena ingestão de fibras e líquidos, atividade física reduzida, e uso de medicações como antiácidos e certos antiepilépticos.
A ingestão adequada de líquidos em geral, alimentos ricos em fibras tais como frutas (mamão, abacaxi, laranja com bagaço, ameixa preta, manga, melancia), verduras (principalmente as folhagens cruas), leguminosas (feijão, ervilha, lentilha) e alimentos integrais melhoram o funcionamento intestinal e são medidas que devem ser recomendadas se o colo (intestino grosso) ainda não estiver dilatado.
Quando a constipação é grave e não se observa resposta às orientações iniciais, os alimentos ricos em fibras devem ser suspensos imediatamente e a possibilidade de megacolo deve ser investigada. O tratamento correto do megacolo (dilatação do intestino grosso) requer a orientação de um pediatra com experiência neste tipo de problema.

Tratamento
O tratamento em suas diferentes modalidades, envolve profissionais de várias áreas e a família. A PC não tem cura, mas seus efeitos podem ser minimizados. O objetivo principal deve ser promover o maior grau de independência possível.

Estimulação do Neurodesenvolvimento

O principal objetivo é estimular o desenvolvimento de padrões funcionais de movimento através de experiências neurosensoriais. A estimulação cognitiva deve ter início em conjunto com a motora. No SARAH, os estímulos a serem utilizados são selecionados, levando-se em conta as etapas do desenvolvimento e o interesse demonstrado pela criança. Sempre que possível, o programa é desenvolvido através de atividades integradas. Os pais aprendem os exercícios programados e como cuidar da criança em casa. A frequência dos retornos para acompanhamento, reavaliações e reorientações é estabelecida de acordo com as necessidades da criança e da família.
Vários trabalhos demonstraram que um bom relacionamento afetivo pais-criança favorece o processo de desenvolvimento. Além disso, os programas de estimulação desenvolvidos por pais comprovaram ser mais efetivos. Entretanto, problemas emocionais, falta de conhecimento sobre o real significado de uma lesão cerebral irreversível e programas inadequados dificultam uma participação positiva. As informações devem ser levadas em linguagem simples e de forma gradual. O profissional que estiver coordenando o tratamento deve ter disponibilidade de tempo para ouvir e respeitar questionamentos, críticas e sugestões dos pais.

Atividades Físicas

Atividades físicas bem orientadas promovem o alongamento e o fortalecimento muscular, favorecem melhor desempenho motor e interferem de maneira positiva com relação ao desenvolvimento emocional e social.
Natação, dança, ginástica, futebol, equitação ou outras atividades esportivas são, indiscutivelmente, muito mais benéficas para determinado grupo de crianças do que tratamentos fisioterápicos realizados dentro de um hospital ou centro de reabilitação.

Atividades de Vida Diária

Atividades de vida diária (AVDs) são atividades do dia-a-dia de uma pessoa. As AVDs incluem alimentação, vestuário, higiene, mobilidade, locomoção, comunicação e demais atividades realizadas tanto em casa quanto na vida comunitária (escola, trabalho e lazer).
Um grande número de crianças com paralisia cerebral apresenta dificuldades para a realização das AVDs e, dependendo do grau das limitações motoras, técnicas de execução, adaptações, e o uso de dispositivos especiais poderão favorecer o desempenho nessas atividades.
As crianças com envolvimento motor moderado podem realizar muitas atividades de forma independente, mesmo estando ainda em idade pré-escolar, mas o ritmo e a maneira própria de cada uma devem ser respeitados.
Para as crianças com acometimento motor grave, faz-se necessário, muitas vezes, o uso de adaptações, como por exemplo, talheres com cabo engrossado, copos com canudos e alças largas para facilitar a preensão e pratos com ventosas.
Com relação ao vestuário, a criança pode descobrir com os pais e a ajuda dos profissionais que a assistem as posições que facilitam um maior grau de independência e os tipos mais apropriados de roupas e calçados. As roupas devem ser largas, confeccionadas em tecidos leves e fechadas com zíper, velcro ou botões grandes. O uso de calçadeiras e ganchos com cabos alongados favorecem maior independência para calçar e vestir. Cadeiras especiais, esponjas com cabos alongados ou fixadas nas mãos, fixadores para sabonetes ou frascos de xampu auxiliam o banho. O piso do banheiro deve ser anti-derrapante e as pias e os vasos sanitários, instalados de maneira a serem facilmente alcançados pelas crianças. Em algumas circunstâncias, recomenda-se ainda a instalação de barras laterais ou dianteira para a criança apoiar-se, no local de banho e do vaso.
Quanto à locomoção, as crianças com envolvimento motor grave necessitam carrinhos especiais ou cadeiras de rodas adaptadas. As principais adaptações são cintos de segurança, tábua-mesa para alimentação e atividades pedagógicas e assentos feitos de espuma especial, moldados individualmente de maneira a oferecer apoio para o tronco e a cabeça. Estas medidas facilitam a manutenção de uma postura mais funcional promovendo certo grau de relaxamento e facilitando os cuidados diários e algumas atividades com os membros superiores.
Algumas crianças, principalmente as com movimentos involuntários, podem apresentar deficiências motoras graves, com incapacidade para realização de movimentos funcionais, e inteligência normal. Adaptações em móveis, alargamento de portas, modificações em banheiros e construção de rampas para permitir o acesso da cadeira de rodas são medidas importantes para que essas crianças possam adquirir maior grau de independência na escola.
O principal objetivo do treinamento nas AVDs é que cada criança alcance seu potencial de realização das diversas atividades e, para que essa meta seja atingida é preciso que haja treinamento sistemático e uma boa integração entre a família, a escola e a sociedade. As visitas domiciliares e escolares são, portanto, importantes, pois conhecendo o meio em que a criança vive é possível planejar e sugerir as modificações necessárias para que possa haver maior grau de independência. A busca de orientação quanto às AVDs surge com o crescimento da criança. Mobilização, locomoção e transporte tornam-se mais difíceis e uma expectativa quanto à possibilidade de maior independência pode emergir tanto por parte da criança quanto dos pais. No entanto, mesmo conhecendo o potencial funcional do filho, os pais tendem a realizar as diversas atividades por ele. Esta atitude pode estar relacionada com o fato de que a criança, muitas vezes, gasta muito tempo para realizar uma determinada atividade. Além disso, expectativas com relação à normalização dos movimentos e aquisição de marcha podem ainda estar existindo. Entretanto, ao impedir que a criança realize, ela mesma, as atividades do seu dia, estaremos privando-a do prazer de fazer e da conquista da capacidade para realizar cada atividade.

Meios Alternativos de Comunicação e Locomoção

Muitas crianças com paralisia cerebral, apesar de terem inteligência normal, podem apresentar dificuldades de movimento tão graves que prejudicam a sua capacidade para falar, escrever e andar.
As crianças com tetraplegia espástica ou coreoatetose apresentam dificuldade para articular a palavra - disartria. Muitas delas, apesar de entenderem a linguagem falada, têm grande dificuldade para a comunicação, pois por causa da disartria não se pode compreender o que elas tentam falar. Nesses casos, a comunicação só é possível através de gestos, expressões faciais e vocalizações. Em algumas crianças, o envolvimento motor é tão grave que até mesmo a expressão facial ou a linguagem gestual são prejudicadas, a ponto de somente as pessoas mais próximas serem capazes de compreendê-las.
Alguns recursos alternativos com sistemas de linguagem e adaptações como apontadores de cabeça ou de queixo já foram desenvolvidos para ajudar na comunicação dessas crianças. Atualmente, as pesquisas em engenharia de reabilitação têm procurado cada vez mais utilizar o computador como recurso para o desenvolvimento de equipamentos, interfaces (dispositivos que permitem o acesso aos comandos do computador) e softwares que viabilizam a comunicação e o processo de alfabetização.
Quanto à locomoção, nas formas graves de PC, a marcha independente não é possível ou determina gasto energético elevado. Portanto, dependendo do grau de envolvimento motor e do déficit de equilíbrio, auxílios para a locomoção, tais como andadores (posterior e anterior), bengalas canadenses, carrinhos ou cadeira de rodas podem ser necessários. Os andadores são recomendados para as crianças com déficit de equilíbrio ântero-posterior e látero-lateral, pois elas necessitam um apoio maior para a deambulação. As bengalas tipo canadense são geralmente indicadas para as crianças que não apresentam deficiência importante do equilíbrio látero-lateral. As crianças com diplegia grave ou com envolvimento total são dependentes da cadeira de rodas para a locomoção. As adaptações são muitas vezes necessárias para que se consiga um bom posicionamento na cadeira. Para as crianças menores, o meio de locomoção mais indicado seria um carrinho mais baixo do que a cadeira comum, possibilitando maior independência nas transferências, e que possa ser impulsionado pela própria criança.

Tratamento da Espasticidade

A espasticidade é a alteração do movimento observada quando os neurônios (unidades básicas do tecido cerebral) que controlam a ação muscular são lesados. Os músculos tornam-se tensos e os movimentos voluntários podem ser prejudicados.
Muitos profissionais que se dedicam à área da reabilitação consideram que o tratamento da espasticidade pode amenizar as dificuldades de muitas crianças com PC. No entanto, nenhum dos recursos até então utilizados é perfeito. Muitas crianças podem melhorar em alguns aspectos, mas continuam com dificuldades para realizar o movimento. Muitos dos tratamentos, hoje disponíveis, estão ainda em nível de pesquisa. Isto porque, a real eficácia e os resultados a longo prazo não foram até o momento demonstrados. Isto faz com que certos tipos de abordagem permaneçam restritas a determinados grupos ou instituições que desenvolvem pesquisas na área médica. Além disso, outros fatores limitantes são o alto custo e principalmente os riscos de alguns meios de tratamento.
Algumas medicações orais podem determinar uma melhora parcial por curtos períodos de tempo em algumas crianças. Mas, além dos efeitos indesejáveis, tais como sonolência, náuseas e vômitos, no caso do baclofen, e sonolência ou quadro de agitação em crianças menores, no caso do diazepan, o que se observa na maioria das vezes é pouca ou nenhuma reposta com relação à redução da espasticidade.
A injeção de álcool diretamente num determinado músculo, reduz sua espasticidade e este efeito pode se prolongar por até seis semanas. Durante este período, algumas crianças entram num programa mais intensivo de atividades. Para outras, recomenda-se o uso de gesso ou talas. O que se procura alcançar trabalhando um músculo originalmente espástico, agora mais relaxado sob o efeito do álcool, é a melhora de um padrão de movimento ou a correção parcial de uma deformidade, evitando ou adiando a necessidade de cirurgia. Como a injeção muscular de álcool é dolorosa, o procedimento tem que ser feito sob anestesia.
A toxina botulínica vem sendo cada vez mais usada. Apesar de cara, ela tem algumas vantagens em relação ao álcool: sua injeção não é tão dolorosa e o seu efeito é bem mais prolongado (3 a 6 meses). Quando o resultado observado com a primeira injeção é bom, às vezes se decide fazer injeções repetidas, a cada três ou seis meses, mas, neste caso, pode haver formação de anticorpos contra o antígeno da toxina, resultando em anulação do seu efeito.
Uso de órteses
As órteses são usadas principalmente com o objetivo de posicionarem melhor um segmento corporal e, desta forma, permitirem uma função melhor.
Na presença de movimentos involuntários, não são recomendadas, porque os movimentos constantes produzem atrito entre a pele e a órtese, causando desconforto e podendo terminar em ferimentos.
Como regra geral, deve-se estabilizar o menor número de articulações possível. Quanto maior o número de articulações imobilizadas, maior a perda da performance e, além disso, alguns tipos de órteses podem enfraquecer os músculos, aumentando a dificuldade de movimento.
As principais indicações para o uso de órteses na PC são: (a) estabilizar articulações no período pós-operatório permitindo a marcha precoce; (b) manter os ganhos de amplitude de movimento articular obtidos após trocas sucessivas de gesso, manipulações ou bloqueios mioneurais; e (c) estabilizar ou melhorar o posicionamento de segmentos corporais com deformidades dinâmicas (não estruturadas) ou pequeno grau de estruturação objetivando melhorar a função.
As órteses somente devem ser prescritas quando o objetivo é melhora da função. Se mal indicadas ou mal confeccionadas, podem trazer prejuízos à criança. Uma vez iniciado o uso, devem ser constantemente revisadas, não somente pela necessidade de modificações à medida que a criança cresce, mas também para reavaliação dos benefícios reais em termos funcionais. Em algumas situações, para se evitar gastos desnecessários, os efeitos da imobilização de uma articulação podem ser testados com uma tala de gesso antes de ser solicitada a confecção da órtese.

Cirurgias Ortopédicas

A paralisia cerebral é uma condição não progressiva, mas o quadro motor e funcional pode se modificar com o crescimento. Nas crianças espásticas, o desenvolvimento de deformidades articulares é comum, devido ao encurtamento muscular, mas a correção de uma deformidade nem sempre implica melhora funcional.
A espasticidade prejudica o movimento voluntário. A criança está então impedida de se movimentar normalmente e, como ela não se movimenta, o músculo encurta. Quanto mais grave a espasticidade, maior o encurtamento muscular e mais graves as deformidades.
Algumas deformidades podem ser tratadas cirurgicamente, mas se mal indicados, certos procedimentos podem inclusive terminar em perda da capacidade para andar. E esta não é uma situação incomum. Um bom resultado de tratamento cirúrgico depende do emprego de uma técnica correta, aplicada no momento certo, ou seja, quando a criança está neurologicamente pronta para atingir mais um marco do seu desenvolvimento e não o faz por causa de uma deformidade músculo-esquelética que pode ser tratada.
Em uma criança com bom prognóstico para a marcha, consideramos que o momento ideal para se programar a cirurgia será quando ela já tiver estabelecido o seu padrão de marcha, o que geralmente ocorre entre seis e sete anos de idade. Antes desta idade, o preferível é deixar que a criança explore o ambiente, da maneira mais livre possível permitindo, assim, que ela seja ser ativo do seu próprio processo de desenvolvimento. Determinadas cirurgias, se realizadas precocemente, podem atrasar o desenvolvimento devido a imobilizações prolongadas. Além disso, a possibilidade de recidiva com o crescimento e os riscos de hiperalongamento ou inversão da deformidade serão maiores. A realização de um segundo procedimento em uma mesma articulação será sempre mais difícil.
Um outro problema com o qual nos deparamos, é que na maioria das vezes, uma deformidade não se apresenta isoladamente. Ela determina um certo desequilíbrio e acaba por produzir outras deformidades, chamadas de secundárias. Muitas vezes, é difícil saber se uma deformidade é primária ou secundária.
Alguns ortopedistas com experiência em tratamento de crianças com PC defendem a idéia de que os programas cirúrgicos devem ser elaborados de maneira a corrigir as várias deformidades em um só tempo. Eles consideram que os resultados de procedimentos que envolvem somente uma articulação são imprevisíveis, e que qualquer deformidade residual pode produzir deformidades secundárias ou induzir a recorrência de deformidades antigas em articulações adjacentes. Outras vantagens deste tipo de abordagem seriam a redução do tempo de internação, e principalmente do número de exposições a anestésicos e outras situações que, de uma ou outra maneira, podem interferir negativamente com relação à dinâmica familiar e ao desenvolvimento da criança. Mas, nesses casos, a criança deve ser muito bem estudada antes de se tomar a decisão de operar. O risco de estarmos corrigindo mecanismos compensatórios e não o mecanismo primário que está determinando as alterações na marcha deve ser considerado.
A cirurgia faz parte de um programa global de tratamento. Na maioria das vezes, os programas são decididos em equipe e tanto o estágio do desenvolvimento motor em que a criança se encontra quanto aspectos cognitivos e emocionais que possam interferir no pós-operatório são levados em consideração. A avaliação da marcha em laboratório de movimento nos ajuda a compreender melhor as alterações primárias do movimento, distinguindo-as dos mecanismos compensatórios. Além disso, o exame de marcha fornece informações quanto à atividade elétrica dos músculos em movimento, facilitando a compreensão dos mecanismos que geram as deformidades.
A maioria das cirurgias ao nível dos membros inferiores tem sido indicada com os seguintes objetivos: (a) correção de deformidades estruturadas que estão impedindo maior independência ou prejudicando a função; (b) melhora do padrão de marcha diminuindo o gasto energético e tornando a marcha mais funcional; (c) prevenção da dor, principalmente ao nível dos quadris; (d) facilitação da higiene e outros cuidados. O que se procura com a cirurgia ortopédica é, na maioria das vezes, aumentar a amplitude de movimento de uma articulação através de tenotomias, alongamentos ou transferências de músculos ou tendões. Os procedimentos cirúrgicos mais freqüentemente realizados nas crianças que adquirem a marcha são: alongamento dos flexores mediais do joelho, liberação distal do reto femoral e alongamento do tendão de Aquiles.
Antes da cirurgia, a família recebe explicações claras quanto ao procedimento, objetivos que se quer alcançar e os cuidados pós-operatórios. A criança é também orientada e o tema da cirurgia é abordado por uma terapeuta e uma psicóloga através de atividades lúdicas. O tempo de internação é curto. Os pais são orientados quanto aos cuidados gerais, posicionamento e exercícios que podem ser realizados em casa. Após a retirada do gesso o programa de atividades físicas passa a ser mais intenso. Nesta fase, a hidroterapia ou atividades desenvolvidas na água contribuem para a recuperação dos movimentos. Os pais continuam participando do processo de reabilitação e é importante que tanto a criança quanto a família compreendam que meses poderão se passar até que a fraqueza muscular pelo desuso seja vencida. A partir de então os resultados funcionais da cirurgia poderão ser avaliados.

Educação

Dependendo do potencial cognitivo, ou seja, da capacidade para aprender, uma criança com PC pode estar apta a freqüentar a escola regular em classe compatível com sua faixa etária.
As crianças com tetraplegia espástica geralmente apresentam envolvimento cognitivo grave. Crianças com outros tipos de PC apresentam deficiência cognitiva leve ou moderada e podem freqüentar o ensino especial. No Brasil, existem Centros de Educação Especial administrados pelo governo, por instituições filantrópicas ou pertencentes à rede privada, que dispõem de atendimento a estas crianças.
Algumas crianças, apesar de mostrarem capacidade para aprender, necessitam ensino especial devido a distúrbios sensoriais. Algumas das instituições citadas possuem modalidades de atendimento especializado para crianças com deficiência visual ou auditiva.
De acordo com a constituição brasileira, tanto as escolas públicas quanto as particulares têm obrigação de aceitar a matrícula de qualquer aluno com deficiência física desde que ele tenha capacidade para acompanhar o ensino regular. Quando o envolvimento motor é importante, a escola deve considerar e respeitar limitações como escrita lenta ou dificuldade para a fala. Nessas situações, a escola deve encontrar estratégias que possam viabilizar a aprendizagem. Qualquer limitação motora pode ser minimizada através de recursos didáticos compatibilizando aprendizagem e dificuldade de movimento, ou de meios alternativos oferecidos pela engenharia de reabilitação.

Aspectos Psicossociais

Em uma criança com deficiência física, a exploração e a manipulação dos objetos, a locomoção, e a interação com a família não podem acontecer normalmente. Isto faz com que o desenvolvimento da criança com certos tipos de PC ocorra de uma maneira diferente. A impossibilidade para correr, jogar bola, e andar de bicicleta vai aos poucos dando à criança a noção de "ser diferente". Na idade escolar, muitas delas já estão conscientes de suas dificuldades e poderão necessitar de ajuda para melhor lidarem com os sentimentos de tristeza ou as diversas perdas ocasionadas pela condição de "ser diferente".
Uma criança com PC apresenta necessidades específicas em cada etapa do seu desenvolvimento. Por exemplo, durante os seis primeiros meses de vida, predominam as necessidades com relação aos cuidados médicos - avaliações clínicas, realização de exames complementares, orientações sobre a patologia, aconselhamento e apoio aos pais. Durante a primeira infância, um dos principais objetivos do acompanhamento passa a ser a estimulação do desenvolvimento neuropsicomotor. À medida que a criança cresce, vão surgindo as necessidades relacionadas com a inserção social, como maior grau de independência, escolarização, orientação vocacional e reforço do suporte psicológico à criança e à família nos momentos críticos.
Em determinadas etapas do desenvolvimento, além dos programas de reabilitação e do acompanhamento médico em esquema ambulatorial, muitas crianças necessitam repetidas hospitalizações ou intervenções cirúrgicas. A rede de apoio social formal (serviços e recursos da comunidade, incluindo as relações com profissionais de saúde) e informal (relações com amigos e familiares) é importante no que se refere ao processo de adaptação dos familiares à deficiência. No que diz respeito à rede de apoio formal, ela nem sempre é eficaz. É comum haver um grande número de profissionais, de diferentes serviços, envolvidos no acompanhamento da criança. Estes profissionais, muitas vezes, apresentam condutas divergentes entre si, acarretando insegurança aos pais quanto à escolha e tomada de decisões com relação ao tipo de cuidados e tratamento da criança. Além disso, a inexistência ou precariedade de recursos de tratamento para determinados problemas representa mais uma fonte de estresse que interfere com o processo de adaptação da família à deficiência.
O profissional que assiste a criança tem um papel importante na mediação do estresse familiar. Os pais necessitam de profissionais experientes que parem para ouvir as suas dúvidas e preocupações, passem as informações com sensibilidade e respeito e tenham consciência de suas limitações.
A melhora da criança com PC é lenta e demanda um constante equilíbrio dos familiares e dos profissionais, entre o que se quer e o que é possível, e cabe à equipe que trata da criança uma atitude de apoio aos familiares com o objetivo de fortalecê-los para que possam realizar os cuidados adequados e enfrentar as dificuldades que acompanham o processo de ajustamento à deficiência. Este processo torna-se mais fácil quando pais e profissionais de saúde trabalham em busca dos mesmos objetivos.

http://www.sarah.br/paginas/doencas/po/p_01_paralisia_cerebral.htm#top


Artigos sobre paralisia cerebral

http://www.jped.com.br/conteudo/02-78-S48/port.pdf

http://www.projetodiretrizes.org.br/5_volume/21-Espasti.pdf

http://www.unifesp.br/dneuro/neurociencias/vol12_1/paralisia_cerebral.htm

http://www.sld.cu/galerias/pdf/sitios/rehabilitacion-bal/borgespeb_et_al.pdf

SINDROME DE WEST

SINDROME DE WEST

HISTÓRICO

Em
1841, West em uma carta dramática ao editor do " The Lancet" , apresentou o problema de seu filho com espasmos em flexão que se repetiam diariamente em ataques de 10 a 20 contrações que levaram a criança a um retardo mental, apesar de todos os tratamentos usados e possíveis para aquela época.
Esta síndrome neurológica foi descrita pela primeira vez em
1949 por Vasquez y Turner para sociedade Argentina de Pediatria, com dez casos de uma "nova síndrome" que apresentavam crises nos lactantes, com alterações específicas no traçado eletroencefalográfico (EEG), estando associadas à deterioração mental, as quais propuseram chamar Epilepsia em Flexão.
Em
1952, os autores Gibbs e Gibbs criaram o termo Hipsarritmia (hypos= altura e rhytmos= ritmo) para o registro EEG destes pacientes, o que passou a caracterizar a maioria das descrições desta síndrome. Portanto, trata-se de uma entidade eletroclínica caracterizada por espasmos quase sempre em flexão e por um traçado EEG típico denominado hipsarritmia ou disritmia maior lenta. As crises clínicas têm recebido outras denominações: espasmos saudatórios , espasmo infantil, massive jerks, Blitz und NichtKrampf, tic de salaam e pequeno mal propulsivo.

CAUSAS

A Síndrome de West pode ser dividida em dois grupos, com relação à causa: o criptogênio (quando a causa é desconhecida), onde o lactente é normal até os inícios dos espasmos, sem qualquer lesão cerebral detectável; e o grupo sintomático (de causa conhecida), onde há prévio desenvolvimento neuropsicomotor anormal, alterações ao exame neurológico e/ou lesões cerebrais identificadas por exames de imagem (tomografia computadorizada, ressonância magnética, etc). Em
1991, foi proposta a hipótese da existência de uma forma idiopática, com evolução benigna no tratamento em curto prazo.
Em aproximadamente 80% dos casos a síndrome de West é secundária, o que vale dizer que depende de uma lesão cerebral orgânica. Em muitos casos é possível determinar a etiologia da síndrome: encefalites a vírus, anoxia neonatal, traumatismo de parto , toxoplasmose, Síndrome de Aicardi, esclerose tuberosea de Bounerville. Na presença da Síndrome de West, uma exaustiva investigação deve ser feita: TC ou RNM, teste de testagem de erros inatos do metabolismo. Outro tipo de crises, além dos espasmos, pode estar também associado.

INCIDÊNCIA

Inicia-se quase sempre no primeiro ano de vida , principalmente entre os 4 e 7 meses de idade. O sexo masculino é o mais afetado, na proporção de 2 para 1.

ASPECTOS ELETROENCEFALOGRAFICOS

As características principais e um registro de
EEG com hipsarritmia são:
Desorganização marcante e constante da atividade basal;
Elevada amplitude dos potenciais;
Ondas lentas delta de voltagem muito elevada ("ondas em montanhas");
Períodos (salvas), habitualmente breves, de poliondas e polipontas onda;
Período de atenuação da voltagem que, em alguns casos, parece chegar a silêncio elétrico.
O eletroencefalograma, ao lado do quadro clínico, é fundamental para diagnóstico, recebendo traçado anormal o nome hipsarritmia. O EEG se caracteriza pelo seu aspecto anárquico, com ondas de grande amplitude, lentas e pontas-ondas lentas. Não há ritmo de base organizada.

QUADRO CLÍNICO

A síndrome de West consiste numa tríade de sinais clínicos e eletroencefalográficos atraso do desenvolvimento, espasmos infantis e traçado eletroencefalográfico com padrão de hipsarritmia. As crises são traduzidas por espasmos ou uma salva de espasmos com seguintes características flexão súbita da cabeça, com abdução dos membros superiores e flexão da
pernas (espasmos mioclônico maciço) é comum a emissão de um grito por ocasião do espasmo.
Cada crise dura em média alguns segundos . As vezes as crises são representadas apenas por flexão da cabeça (tique de sabam ou "espasmo saudatório"). As crises são freqüentes particularmente durante a
vigília, podendo chegar até a centena ou mais por dia.
As contrações são breves, maciças, simétricas, levando-se os membros superiores para frente e para fora e flexionando os músculos o abdômen. São crianças hipotônicas. Em princípio, o diagnóstico não é fácil, sendo os espasmos confundidos com cólicas ou com reflexo de Moro. Outra manifestação importante é o retardo mental que, em boa parcela dos casos, pode ser evitado pelo tratamento precoce do quadro. Diz-se que as alterações e características clínicas e evolutivas desta síndrome dependem das condições prévias do SNC do lactante antes dos surgimentos das crises. Com a maturação da criança , em geral as crises diminuem e desaparecem por volta do quarto ou quinto ano de vida.

EVOLUÇÃO, COMPLICAÇÃO E PROGNÓSTICO

Quase sempre é uma perda de cunho neuropsíquico para criança afetada, esta perda está na dependência da precocidade de diagnóstico e da intervenção aplicada. A hipsarritmia pode desaparecer ou se transformar no decorrer do tempo. A criança apresenta sérias complicações respiratórias, devido aos freqüentes espasmos, deformidades , principalmente de MMSS e MMII. Pode ocorrer subluxação do quadril.
Há possibilidade de remissão total de espasmos infantis considerados criptogéticos, mas não há confirmação científica de remissão definitiva para os casos mais graves associados a outras condições ou patologias neurológicas.
Crianças apresentam sinais e sintomas de dano cerebral podem vir a apresentar um quadro de déficit intelectual a posterior, elas devem ser precocemente estimuladas para diminuir a seu grau de compartimento intelectual e psíquico.
Têm sido assinalados os casos em que o desenvolvimento é normal. Vários autores têm discutido uma associação entre a hipsarritmia e psicose ou entre hipsarritmia e autismo. A deteriorização do desenvolvimento neuropsicomotor está presente em 95 % dos casos. O melhor prognóstico ocorre nos 5% dos casos que permanecem com desenvolvimento mental.
O prognóstico, mesmo nos casos tratados precocemente, permanece reservado, observando-se em 90% dos casos a presença de deficiência mental. Distúrbios psiquiátricos são freqüentes. Outras síndromes epiléticas podem surgir, sendo que 50-60% dos casos evoluem para síndrome Lennox-Gastaut, epilepsia multifocal ou epilepsia parcial secundariamente generalizada.

TRATAMENTO

Tratamento clínico
Há uma grande melhora dos espasmos infantis com uso intensivo do ACTH (hormônio adrenocorticotrófico ) em suas apresentações injetáveis como: ACTHAR ( Corticotrophin) da Rhône Poulenc Rorer Pharmaceutical inc ou a sua forma de H.P.ACTHAR Gel (Repository Corticotrophin injection).
Dizemos que este tratamento pode ser heróico e interromper o quadro convulsivo, porém só deve ser utilizado sob rigoroso controle médico e monitoramento cardiopediatrico, já que os corticóides não agem apenas no SNC, mas todo o organismo da criança, inclusive em seu sistema imunológico. Segundo os autores Zajerman e Medina somente se utiliza esta medicação em casos de Síndrome de West considerados criptogênicos, e não em espasmos infantis resultantes de lesões cerebrais, por exemplo.
Há casos em que a resposta terapêutica pode aparecer em até 48 ou 72 horas após aplicação de uma primeira dose do ACTH, podendo haver uma possibilidade de recidiva de crises nos casos considerados mais graves na dependência da precocidade do diagnóstico e da extensão e gravidade da lesão cerebral associada.
Outros anticonvulsivantes têm sido utilizados, isoladamente ou em combinação nos casos de espasmo infantis, como o Clonazepam, a lamotrigina, o Ácido Valpróico, o Fenobarbital e o Vigabatrin.

Tratamento fisioterápico
O tratamento fisioterapêutico tem como objetivo principal tratar as seqüelas ou tentar diminuí-las o máximo possível. Como as complicações respiratórias existentes, deve-se fazer fisioterapia respiratória.
Outro objetivo é tentar-se evitar as deformidades que surgem ou amenizá-las, fazendo-se mobilização passiva e alongamentos. Devido a hipotonia é preciso que se fortaleça os músculos responsáveis pela respiração.
Objetivos:
Equilíbrio da cabeça
Equilíbrio do tronco
Seguir as etapas de maturação de acordo com cada criança.
Em todo paciente com Síndrome de West precisa-se trabalhar primeiramente extensão de cabeça e de tronco, para que depois, então a criança seja estimulada a começar a rolar, arrastar, engatinhar, sentar, .. .Não podemos querer que ela engatinhe, sem que ela consiga fazer extensão cervical. O tratamento deve ser feito seguindo as etapas de evolução, de maturação da criança.
Os exercícios fisioterápicos devem obedecer as escalas de maturação. Tendo isso em mente, o fisioterapeuta pode inovar e criar novas maneiras de serem realizados de duas formas: Utilizando a bola coloca-se a criança em DV apoiado com cotovelo em cima da bola, e chama-se a atenção da mesma com um objeto a sua frente.
Deitado no chão, também com um
brinquedo à frente.
É importante saber que o tratamento da síndrome de west é igual ao tratamento proposto a criança portadora de paralisia cerebral.

Hidroterapia
Durante a terapia em
piscina, o calor da água ajuda a aliviar a espasticidade, mesmo que o alívio seja temporário. Entretanto, a medida que a espasticidade diminui, movimentos passivos podem ser administrados em maior amplitude com menor desconforto para o paciente. Deste modo a amplitude articular pode ser mantida.
Os movimentos passivos devem ser efetuados lentamente e ritmicamente, começando com o tronco e articulações proximais, gradualmente incluindo as articulações distais. Os movimentos devem a princípio ser de natureza oscilatória e a seguir de natureza rotatória. O tronco e os membros devem ser movidos em padrões de movimento com inibição reflexa. O paciente deve respirar profundamente e calmamente, e o momento do estendimento máximo deve coincidir com a expiração. A principal dificuldade em obter uma fixação estável para ambos os pacientes e o terapeuta. Em alguns casos pode ser necessário um segundo fisioterapeuta para ajudar.

BIBLIOGRAFIA
AJURIAGUERR, J de - " Manual de Psiquiatria Infantil ". Ed Atheneu, 1992 - 2 edição
LIPPI, Jose Raimundo da Silva - " Neurologia Infantil " - 1987.
DYNSKI, Martha Klin - "Atlas de Pediatria".
CAMBIER, J . MASSON, M e DEHEN, H - " Manual de Neurologia" Ed Atheneu - 2 edição



Links para pesquisa:
The West Syndrome Support Group:
http://www.wssg.org.uk/wssg
Epilepsy Foundation of America:
http://www.efa.org/
Página pessoal de Mariana Mobilio de Lima:
http://membro.intermega.com.br/westmariana/index.html
Página pessoal da Regina:
http://www.regina-sdrmewest.com.ar

http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_West#Hist.C3.B3rico

MEDICAMENTOS UTILIZADOS - SINDROME DE WEST

TRATAMENTO DE EPILEPSIAS

É feito através de medicamentos que evitam as descargas elétricas cerebrais anormais, que são a origem das crises epiléticas. Você deve lembrar que os medicamentos para as crises não têm efeito imediato. Portanto, não adianta usar o medicamento só por ocasião das crises ou sem acompanhamento médico. O tratamento costuma ser longo e implica em muita força de vontade do paciente, a fim de se chegar ao controle das crises. Os medicamentos normalmente necessitam ser ingeridos a cada 8,12 ou 24 horas, dependendo da medicação prescrita. Tomar os medicamentos na quantidade e na hora indicada pelo médico é um dos passos importantes para obter sucesso no tratamento. A consulta periódica ao médico permite que a quantidade de medicamentos seja ajustada à necessidade individual, além de possibilitar a identificação de fatores que possam estar contribuindo para o aumento das crises (fatores desencadeantes) e, também, para a verificação dos efeitos colaterais que às vezes aparecem com o uso dos medicamentos. Esses efeitos não costumam interferir nas atividades diárias, mas, caso isso ocorra, é necessária a orientação médica. É importante lembrar que a falta de controle das crises epiléticas pode ocorrer porque as pessoas esquecem-se de tomar os medicamentos, ou suspendem o remédio abruptamente sem orientação médica, ou outras vezes podem estar fazendo a "experiência" de parar o medicamento imaginando-se já curadas. Essas condutas geralmente levam ao fracasso do tratamento. Por fim, colocamos aqui algumas regras importantes para o sucesso do tratamento:
EFEITOS ADVERSOS DAS DROGAS EPILÉTICAS.

Todos os medicamentos (não só os utilizados em epilepsias) podem causar efeitos colaterais. Esses efeitos costumam ser leves e desaparecer em seguida. Quais são esses efeitos?
Os medicamentos anticonvulsivantes bloqueiam a ação das vitaminas.
Verifique se o que você está sentindo realmente pode ser devido ao uso da medicação, ou se há outro evento que justifique seus sintomas. Procure seu médico se esses efeitos persistirem, para que se estabeleça a relação de causalidade entre o surgimento do sintoma e o uso da medicação. Não suspenda ou altere a dose do medicamento sem conversar com seu médico. Pode ocorrer interferência da ação dos medicamentos entre si, antiepiléticos ou não. O uso de qualquer medicamento deve ser feito apenas com orientação médica. Lembre-se nem tudo o que você sente de estranho é efeito adverso dos medicamentos.
VIGABATRINA SABRIL®

A Vigabatrina é eficaz para crises parciais simples e complexas em adultos e crianças, com ou sem generalização secundária 49%. Seu efeito é, entretanto, maior nas crises parciais do que na generalização secundária. Sua eficácia para estes tipos de epilepsia foi demonstra tanto como droga adicional 49% como em monoterapia 50%, 51% em adultos e crianças em estudos com longo seguimento 52%. Na maior parte dos ensaios, Vigabatrina foi comparada a placebo 53% ou à Carbamazepina. Em alguns ensaios, a Vigabatrina foi melhor tolerada em virtude da sedação causada pela Carbamazepina. O controle das crises por ambas as drogas não apresentou diferenças significativas na maior parte dos trabalhos. Em um ensaio clínico, o número de pacientes livres de crise foi de 58% para Carbamazepina contra 38% para Vigabatrina 51%. As evidências de eficácia favorecem a Carbamazepina, não podendo a Vigabatrina, portanto, ser indicada como droga de primeira linha em monoterapia. Estudos com monoterapia em crianças também demonstram que a eficácia da Vigabatrina e Carbamazepina é similar ou favorece a Carbamazepina 54%. Em um estudo randomizado duplo cego 55%, Vigabatrina foi comparada à Gabapentina como droga adicional para controle de epilepsia parcial refratária: a diferença de pacientes livres de crises foi inexpressiva e três pacientes tratados com Vigabatrina tiveram perturbações de campos visuais. A Vigabatrina é eficaz para tratamento da Síndrome de West (espasmos infantis), tanto idiopática como criptogênica (etiológias não diagnosticadas ou facilmente reconhecidas), associado à esclerose tuberosa. Nesta situação, chegou a ser considerada como primeira escolha 56%, 57% entretanto, devido a estudos posteriores terem demonstrado uma relação com retração dos campos visuais, passou a ser uma opção terapêutica, e não mais primeira linha. Foi indicada, também, como droga adicional de primeira escolha após recidiva (reincidência) em pacientes tratados com ACTH 58%.

Principais efeitos adversos incluem: Hematológicos: diminuição das células vermelhas do sangue; Gastrointestinais: constipação, secura na boca, náuseas, vômitos, dor de estômago; Sistema Nervoso Central: tontura, dor de cabeça, depressão, confusão, nervosismo, dificuldade de concentração, sonolência, cansaço; Diversos: ganho de peso, crescimento da gengivas, visão dupla, reações alérgicas de pele. Vigabatrina é um inibidor irreversível da enzima GABA transaminase; exerce sua ação antiepiléptica pelo aumento da disponibilidade do GABA nas sinapses do Sistema Nervoso Central 48.

LAMOTRIGINA - LAMICTAL®

Indicações Terapêuticas: Adultos e crianças a partir de doze anos: Lamictal® é uma droga antiepilética indicada como adjuvante ou em monoterapia para o tratamento de crises convulsivas parciais e crises generalizadas, incluindo crises tônico-crônicas. Não se recomenda o tratamento inicial em esquema de monoterapia, em paciente pediátricos com diagnóstico recente. Após o controle epilético ter sido alcançado, durante terapia combinada, drogas antiepiléticas (DAEs) concomitantes geralmente podem ser retiradas, substituindo-as pela monoterapia com o Lamictal® . Reações adversas: Distúbios da pele e tecidos subcutâneos. Existem relatos de reações adversas dermatológicas que geralmente têm ocorri nas primeiras oitos semanas após o início do tratamento. Precauções: A administração de Lamictal® não deve ser administrado a pacientes que estejam sendo tratados com outra formulações contendo lamotrigina sem recomendação médica. É contra-indicado em indivíduos com conhecida hipersensibilidade à lamotrigina ou a qualquer outro componente da formulação.

ÁCIDO VALPRÓICODEPAKENE® - (ABBOTT - VALPAKINE® - (SANOFI)

Reações adversas: Hepatotoxicidade grave ou fatal (risco maior em crianças que recebem outros anticonvulsivos simultaneamente), alterações intestinais, diarréia, tremores, náuseas, vômitos, erupções cutâneas, hemorragias ou hematomas por trombocitopenia ou inibição da agregação plaquetária, sonolência. Precauções: A administração de Ácido Valpróico requer cuidados, especialmente nas crianças (maior risco de desenvolver hepatotoxicidade grave), na presença de discrasias sangüíneas, doença cerebral orgânica, doença hepática e disfunção renal. Deve ser empregado com cautela nos casos que requerem qualquer tipo de cirurgia, tratamento dental ou de emergência, devido ao possível prolongamento do tempo de sangria.

NITRAZEPAM - NITRAZEPOL®

O nitrazepam é um derivado benzodiazepínico capaz de induzir um sono semelhante ao fisiológico, que dura de 6 a 8 horas. O despertar é suave, diferindo do sono produzido pelos barbitúricos e por outros hipnóticos. O nitrazepam é completamente absorvido após administração oral. Liga-se fortemente às proteínas plasmáticas. É metabolizado no fígado principalmente por nitro-redução e acetilação. Sua principal via de eliminação é a urinária. Atravessa a barreira placentária e pode ser detectado no leite materno. Reações adversas: boca seca, descoordenação motora, esquecimentos, dor de cabeça, zumbidos.

SONEBOM®

O Sonebom é um hipnótico (medicação usada para induzir ao sono) do grupo dos benzodiazepínicos. Principais efeitos Como todo benzodiazepínico possui o efeito de sedação, o motivo pelo qual se usa e classifica o Sonebom como um hipnótico é seu tempo de ação. Os hipnóticos devem possuir as seguintes características: rápido início de ação para que o usuário durma logo depois de tomá-lo, e rápido tempo de elimição para que o usuário não fique sonolente depois da hora de acordar. Como é usado ? O uso da medicação para ajudar a dormir é o modo mais fácil de regularizar o sono, basta tomar um comprimido antes de dormir. Muitas vezes é necessário mudar alguns hábitos como não dormir durante o dia, não tomar mais do que 5 xícaras de café por dia e nenhum café depois das 16:00h, evitar atividades físicas antes de dormir bem como filmes excitantes. As medicações com possível efeito estimulante devem ser tomadas o mais cedo possível. Antes que tudo isso seja feito é necessário verificar as causas da insônia. É comum um paciente ter como principal queixa a insônia, mas na verdade estar deprimido por exemplo. Nesses casos um remédio para dormir não vai resolver, tem que ser feito o tratamento para a depressão, na medida em que os sintomas depressivos cedem (e a insônia é um deles) o sono se regulariza. Considerações: Caso dois comprimidos não estejam fazendo efeito significa que está na hora de mudar de medicação. As substâncias que deprimem o cérebro como anti-histamínicos, álcool, barbitúricos potencializam o efeito do Sonebom. Sob nenhuma circunstância o Sonebom pode ser usado durante o primeiro trimestre de gestação. Pessoas e crianças que apresentem parada respiratória temporária durante a noite não podem tomar essa medicação. Reações adversas: Algumas pessoas apresentam alteração do paladar enquanto tomam essa medicação. Outros efeitos colaterais que podem perturbar são: boca seca, descoordenação motora, esquecimentos, dor de cabeça, zumbidos.

VITAMINAS PIRIDOXINA (VITAMINA B6 )

A deficiência grave de vitamina B6 provoca diversos sintomas: dermatite seborreica, anemia hipocrômica, várias formas de neurite periférica e convulsões de origem cerebral com alterações do EEG. Durante a gravidez e o período de lactação, quando se tomam preparados anticoncepcionais e quando se recebe uma terapêutica com antagonistas da vitamina B6 (isoniazida, penicilamina), verifica-se um aumento das necessidades deste tipo de vitamina. Para tratamento dos sintomas gerados por uma deficiência de vitamina B6 e do aumento das necessidades, costuma ser suficiente a administração diária de 20-450 mg de vitamina B6 por via oral. Vide Bula: Para informações ao paciente, indicações, contra-indicações e precauções. Sempre com o conhecimento do seu médico.

BIOTINA - (VITAMINA B8 )

A biotina desempenha um papel fundamental na manutenção da integridade da pele. Na medida em que se tratam de formas localizadas ou generalizadas, como as dermatites seborreicas e, em especial, a dermatite seborréica do lactante, constituem a indicação habitual da biotina. Atualmente, tende-se cada vez mais a propor o emprego da biotina no adulto para o tratamento da acne e de todas as alopecias, com ou sem seborreia. Obtiveram-se resultados particularmente interessantes com a associação da biotina ao ácido pantatênico por via sistêmica.

TIAMINA - (VITAMINA B1 )

Importante para o bom funcionamento do sistema nervoso dos músculos e do coração. auxilia as células na produção de combustível para que o corpo possa viver. Melhora a atitude mental e o raciocínio. Sua falta provoca: insônia, nervosismo, irritação, fadiga, depressão, perda de apetite e energia, dores no abdômem e no peito, sensação de agulhadas e queimação nos pés, perda do tato e da memória, problemas de cocentração. Inimigos da vitamina B1: álcool, café e cigarro, antiácido, barbitúricos, diurético, excesso de doces e açúcar.
ÁCIDO ASCÓRBICO - (VITAMINA C )

A vitamina C tornou-se em virtude do seu papel como antioxidante, com potencial de oferecer proteção contra algumas doenças e contra os aspectos degeneratividade do envelhecimento. Mas nem tudo são boas notícias. O excesso de vitamina C pode causar efeitos colaterais, como náuseas e diarréia.
L - CARNITINA

A carnitina é um complexo proteico presente em todas as mitocôndrias do corpo. É armazenada nos músculos esqueléticos onde ela é necessária para transformar os ácidos graxos em energia para atividades musculares. A principal fonte de carnitina é a alimentação, sendo mais abundantes em alimentos de origem animal, tais como carne e produtos derivados do leite.